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ILUSTRE CIDADÃ

“A roupa era lavada no arroio. Hoje, se contar isso para os mais jovens eles não acreditam”

O quadro Ilustre Cidadã entrevista Irma Cristina Herbert

05/03/2026 | 10:27 Atualização: 05/03/2026 | 10:29
Irma Cristina Herbert
Irma Cristina Herbert

A agricultora e dona de casa Irma Cristina Herbert tem 93 anos. Com nove filhos, 10 netos e 10 bisnetos, demonstra muita lucidez, ótima saúde e muita alegria de viver. Nascida em 15 de dezembro de 1932, na comunidade Mãe de Deus, em Boa Vista, Poço das Antas, onde também foi na escola, dona Irma acompanhou muitas mudanças e toda evolução na sociedade. Devota de Santo Antônio – a quem sempre reza quando necessita de proteção ou ajuda para encontrar alguma coisa perdida –, segue a mesma rotina todas as manhãs: vai até a porta de casa, olha para o céu, levanta as mãos e agradece a Deus por mais um dia de vida e por todas as bênçãos e alegrias alcançadas.

Como era a vida quando a senhora era jovem?

Irma Cristina Herbert Era tudo diferente. As brincadeiras das crianças eram outras. As pessoas trabalhavam muito e tudo era feito com a força das próprias mãos: construir casas, preparar a terra, plantar e colher. A gente plantava tudo o que comia: feijão, arroz, trigo, batatas, milho branco, amendoim, frutas. Levávamos os grãos para moer e depois tínhamos a farinha para fazer o pão. Também produzíamos o melado da cana-de-açúcar, a nata e as “schmias” (geleias) para passar no pão. Toda vez que queríamos algo da “venda” (armazém), como erva-mate, açúcar ou sal, levávamos ovos produzidos na propriedade para trocar. Esta era uma prática muito comum. Os agricultores não compravam muito para comer. Até as próprias cervejas para consumir, especialmente na época do Kerb, a “Spritzbier” (cerveja preta), a gente preparava em casa. A roupa era lavada no arroio. Tinha que esfregar, enxaguar e torcer à mão, antes de estender para secar. Hoje, se contar isso para os mais jovens eles não acreditam.

Em que ano a senhora se casou?

Cristina Foi em 1954, quando eu tinha 21 anos. Eu e meu marido, Arno Herbert (in memoriam), viemos morar aqui na parte sul de Poço das Antas, do lado de trás do Arroio Paris, quando ainda pertencia a Montenegro. Para chegar até a rua principal, precisava caminhar por cerca de um quilômetro por um caminho ruim, que ficava cheio de lama nos dias de chuva. Por mais de 20 anos, moramos ali sem eletricidade, porque não havia rede de energia. Quando a gente carneava uma novilha, ou um porco, a carne precisava ser frita num tacho e depois era armazenada dentro de latas grandes, de 18 quilos, cobertas por banha. Apenas em junho de 1974, com a chegada da luz elétrica, a gente pode deixar de usar o lampião a óleo ou a gás. A partir daí, a diferença foi muito grande. Em 1976, compramos a área de terra com casa aqui no Centro de Poço das Antas, onde moro até hoje.

Como foi com o nascimento dos filhos?

Cristina Havia uma parteira em Boa Vista, com sobrenome Schneider. Ela vinha até as casas para auxiliar as mulheres que estavam em trabalho de parto. Assim foi com meus primeiros seis filhos. Os últimos três já nasceram no Hospital 25 de Julho, aqui em Poço das Antas. Mas todos os filhos nasceram de parto normal. Até hoje, não passei por nenhuma cirurgia.

Qual é a atividade que a senhora mais gostava de realizar?

Cristina Quando casei, meus pais me deram de presente uma máquina de costura da marca Olympia. Eu costurava tudo, inclusive as roupas das crianças. Hoje, só consigo costurar em linha reta (risos), mas a máquina segue comigo.

Mesmo aos 93 anos, a senhora faz questão de participar da vida da comunidade?

Cristina Sim. Pertenço à Comunidade Católica São Pedro Apóstolo. Também sou associada da Sascpa e uma das mais antigas do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Poço das Antas, que hoje está anexado ao STR Teutônia/Westfália. Também faço parte das atividades realizadas para os idosos aqui no município. Já fui homenageada como a pessoa mais velha em encontro de idosos realizado no Martin Luther, no Bairro Languiru, em Teutônia, e também recebi uma homenagem da presidente do STR, Liane Brackmann, por ser a associada mais idosa aqui de Poço das Antas.  

Qual é a dica que a senhora dá para viver bem?

Cristina Confiar em Deus, rezar para alcançar graças e agradecer sempre. Quando acordo pela manhã, abro a porta de casa, olho para o céu, levanto as mãos e agradeço a Deus com as palavras “Cristo redentor e protetor, meu amor”. Também sou agradecida por ter muita saúde, muita sorte e por todo o amor dos meus filhos, netos e bisnetos. Sempre que eles vêm me visitar, é uma alegria muito grande. 

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