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Igualdade Racial

Empresária lança livro sobre protagonismo feminino negro

Gestora de RH residente em Teutônia é uma das autoras de obra que exalta a liderança de mulheres pretas

Por: Marcel Lovato

20/11/2025 | 14:26
Profissional tem mais de 30 anos de experiência na gestão de pessoas e está ligada ao associativismo. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
Profissional tem mais de 30 anos de experiência na gestão de pessoas e está ligada ao associativismo. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

O protagonismo da mulher negra, exemplos que vão além das exceções e demonstram a representatividade de um movimento cada vez mais em evidência. Estas são algumas das premissas do livro “Quebrando os limites – volume 2: mulheres negras e o poder de avançar”, cujo lançamento vai ocorrer na próxima terça-feira, 25, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. A obra apresenta textos escritos por 30 autoras. Uma delas é a consultora, mentora e palestrante, Cintia Schmidt, moradora de Teutônia.

Formada em Serviço Social e pós-graduada em Gestão de Projetos, Cintia tem mais de 30 anos de experiência em gestão de pessoas. Também é coordenadora do comitê de Recursos Humanos da Federasul. A profissional participou, em 2022, de um programa de aceleração de carreira do Grupo Mulheres do Brasil, fruto do Comitê de Igualdade Racial.

Obra será lançada na capital paulista na próxima terça-feira, 25. Foto: Divulgação

A iniciativa tem o objetivo de fortalecer o desenvolvimento profissional de mulheres negras, pardas e indígenas e prepará-las para posições de liderança. Desta forma, o livro narra as trajetórias de cada integrante e o impacto do projeto em suas vidas. Para a autora, o mercado de trabalho vive um período de abertura de oportunidades, mas ainda enfrenta desafios estruturais.

“A presença de negros em espaços de liderança depende tanto da disposição dos profissionais em ocupar estes lugares de visibilidade quanto do apoio de pessoas brancas que estejam comprometidas com a equidade. É um movimento de humanidade, de fazer este mundo melhor para todos nós juntos”, avalia Cintia.

Trajetória

Atual gestora de RH da Plastrela, Cintia construiu sua carreira a partir de uma relação profunda com pessoas, algo que afirma ter herdado da mãe, Ivone, e do pai, Miguel. Nascida em Caxias do Sul e criada em São Sebastião do Caí, ela iniciou sua vida profissional no programa Jovem Aprendiz, enquanto buscava formas de custear os estudos na Unisinos. Foi na indústria calçadista, onde atuou como anotadeira e observou o trabalho da psicóloga na condução de entrevistas, que descobriu a vocação para os Recursos Humanos.

Após experiências no setor do turismo e na indústria da borracha, permaneceu por 16 anos na empresa Grupo Pedrozo de Segurança, onde exerceu vários cargos. Iniciou como recrutadora, tornou-se supervisora de RH e, posteriormente, assumiu a supervisão de vendas, na qual liderou uma equipe formada por 17 pessoas em três estados. Ela atribui parte de seu crescimento ao incentivo de diretores que, em uma época pouco aberta à diversidade, apostaram em seu potencial.

Em 2013, mudou-se para Teutônia com o marido, Marcio, e os filhos Gustavo e Otávio. Inicialmente reticente, reconhece hoje que a mudança foi uma das melhores decisões para a família. Na cidade, assumiu a gerência da Loja Márcia, oportunidade que descreve como inovadora e fundamental na abertura de novas portas. Afinal, a contratação de uma mulher negra para o cargo e sem domínio do idioma alemão era incomum.

Depois, retornou ao RH para trabalhar na Piccadilly Calçados. Embora fosse “um passo atrás” em termos de cargo, viu ali espaço para o que mais ama: desenvolver pessoas. O envolvimento com a comunidade se intensificou por meio da CIC Teutônia, do Lions, de ações voluntárias e da coordenação do Comitê de RH da Federasul. Cíntia também se integra ao ecossistema de curadoria de carreira da psicóloga Daniela Forgiarini e ao Comitê de Diversidade em Conselhos do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBCG).

Em 2022, a carreira ganhou novos contornos quando foi convidada pelo Colégio Teutônia para lecionar no curso técnico em administração — um papel que descreve como um presente, pela possibilidade de apoiar jovens em seus primeiros passos profissionais. No mesmo período, tornou-se comunicadora em um programa de rádio.

Desafios

Ao analisar sua jornada, Cíntia aponta o autoconhecimento como principal estratégia para avançar profissionalmente. Destaca a importância de validar as próprias virtudes, manter uma rede de apoio e permanecer em constante aprendizado, princípios que também norteiam seu trabalho como mentora de carreira.

O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, afirma, representa um marco de memória e reconhecimento da contribuição dos antepassados escravizados. No campo profissional, considera a data um momento de fortalecimento, mesmo que ainda ocorram episódios de rejeição à sua liderança tanto por ser mulher e preta.

Para que o Brasil possa, algum dia, alcançar a equidade racial, Cíntia acredita que é necessário elevar a consciência coletiva sobre respeito e inclusão. Segundo ela, ambientes sem diversidade deveriam servir de alerta para questionamentos sobre acesso, pertencimento e participação social.

Desta forma, a profissional defende que a pauta racial deve, inclusive, estar ligada à cultura organizacional. Portanto, ir além de datas comemorativas. A miscigenação amplia a capacidade de inovação e deve estar presente em conversas de gestores, processos seletivos e demais decisões estratégicas. Também contribui para a construção de futuro mais igualitário. “Desejo um mundo melhor para todas as pessoas, independentemente de origem. Em essência, deveríamos ser todos humanos”, conclui.

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