A Certel vive um dos momentos mais intensos de expansão de sua capacidade própria de geração de energia. Com quatro hidrelétricas e duas usinas solares já em operação, a cooperativa acelera projetos estratégicos para ampliar a oferta, garantir estabilidade ao sistema regional e se posicionar cada vez melhor diante do mercado livre, que passa por abertura gradativa para consumidores de baixa tensão.
Em agosto deste ano, a cooperativa anunciou a construção da sua quinta hidrelétrica, a Vale do Leite, que será a terceira no Rio Forqueta, entre Pouso Novo e Coqueiro Baixo, com 6,4 megawatts (MW) de potência. O empreendimento foi viabilizado pela venda de energia no Leilão de Energia Nova A-5, promovido pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), com delegação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Outras cinco hidrelétricas estão na esteira para os próximos anos. Também a ser executado no Forqueta, o projeto da Foz do Jacutinga, com 5,5 MW, entre Putinga e São José do Herval, já está sendo preparado para disputa em outro leilão semelhante, previsto para o primeiro semestre de 2026. Entre as exigências, estão licença prévia ambiental, contrato de conexão e aquisição das áreas essenciais.
Ainda para o eixo do Forqueta, mais futuramente, a cooperativa mantém os planos da Moinho Velho, com 4,1 MW, entre Putinga e Pouso Novo; da Vale Fundo, com 5,6 MW, entre Pouso Novo e Coqueiro Baixo; e da Olaria, com 4 MW, entre Coqueiro Baixo e Pouso Novo.
Em outro flanco, junto ao Rio Taquari, permanece entre as prioridades a hidrelétrica Bom Retiro, que será construída valendo-se da estrutura da Barragem Eclusa, existente desde a década de 1970. Com uma queda d’água de dez metros e um lago de cerca de 30 quilômetros, a capacidade projetada é de 35,18 MW, com expectativa de atender aproximadamente 100 mil consumidores de energia.
Anunciado em 2022, o empreendimento precisou ser postergado devido às catástrofes ambientais que se sucederam entre 2023 e 2024. As enchentes alteraram o terreno onde seria instalada a casa de máquinas e estabeleceram novos parâmetros de segurança, exigindo revisão geral do projeto executivo, incluindo cotas de proteção, engenharia e dimensionamento estrutural. “É necessário que a futura casa de máquinas seja resistente para superar eventos como aqueles”, explica o diretor de Geração, Mercado e Comercialização de Energia da Certel, Julio Salecker.
No campo da diversificação, avança o projeto eólico nos Morros da Linha Harmonia. A Certel mensurou a incidência dos ventos na localidade por mais de três anos. O empreendimento é tecnicamente viável e está em fase de ajustes de custos e elaboração do projeto executivo. Quando concluído, deverá superar Bom Retiro em potência instalada, reforçando o portfólio da cooperativa.
Empreendimentos de geração de energia da Certel instalados e projetados:



Fontes estáveis e resilientes
A aceleração dos projetos tem relação com o cenário atual do Sistema Interligado Nacional. Salecker explica que a matriz brasileira perdeu estabilidade com a forte entrada de fontes intermitentes, como solar e eólica, que já representam mais de 30% da geração. “A eólica e a solar são limpas e importantes, mas são instáveis. Quando elas param de produzir por questões climáticas, são as hidrelétricas que seguram o sistema”, afirma.
Para ele, o momento favorece fontes firmes, como hidrelétricas e usinas com geração contínua. Gerar energia perto do consumo também aumenta autonomia e resiliência, especialmente em períodos críticos. “Se tivéssemos mais hidrelétricas próprias em maio de 2024, teríamos tido menos dias sem energia”, exemplifica.
O aumento da frequência de eventos climáticos extremos também influencia a estratégia. A Certel reforçou casas de máquinas, redes de transmissão e estruturas gerais das usinas, além de revisar projetos futuros para garantir mais proteção e segurança. A cooperativa defende o uso de barragens de acumulação para atenuar picos de cheias e já apresentou proposta ao Plano Rio Grande para novas estruturas na bacia do Forqueta.
Mercado livre
A abertura gradativa do mercado livre, cuja etapa para baixa tensão deve ocorrer entre 2027 e 2029, também é um fator importante para a expansão da capacidade de geração de energia da Certel. No mercado livre, consumidores podem escolher de quem comprar a eletricidade, negociando preço, prazo e condições diretamente com geradores e comercializadoras.
Por meio da Certel Comercializadora, a energia da cooperativa já chega a estabelecimentos diversos, mesmo fora da área de concessão para distribuição. À medida que a legislação evolui para a abertura plena, crescem as oportunidades de negócio. “Quanto mais energia própria tivermos para oferecer no mercado livre, maior será a flexibilidade na construção de preços e maior será a capacidade de reter associados”, observa o diretor.
Mesmo presente em outros segmentos, o foco da cooperativa permanece claro. “O associado quer energia de qualidade, estável e com o menor custo possível. Por isso buscamos um sistema robusto de distribuição e fontes eficientes de geração”, afirma Salecker.