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Meteorologia alerta para chuvas abaixo da média

Persistência do La Niña mantém risco de estiagem e irregularidade das precipitações

12/12/2025 | 09:31 Atualização: 12/12/2025 | 09:33
| Foto: divulgação
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A segunda quinzena de dezembro deve registrar chuva ligeiramente abaixo da normal climática no Vale do Taquari, aponta o Núcleo de Informações Hidrometeorológicas da Univates (NIH). A tendência é de retorno gradual à normalidade em janeiro, mas com nova redução dos volumes em fevereiro. O cenário exige atenção do setor primário, especialmente no período mais quente do ano.

Segundo o NIH, o La Niña permanece ativo e deve seguir influenciando o clima regional nas próximas semanas. Relatório recente da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indica que a transição para neutralidade é mais provável entre janeiro e março de 2026, com chance de 61%.

O fenômeno, caracterizado pelo resfriamento do Pacífico Equatorial, costuma tornar a chuva mais irregular e espaçada no Rio Grande do Sul. “Isso aumenta o intervalo entre episódios de precipitação, favorecendo momentos de estiagem”, destaca o núcleo. Apesar disso, a ocorrência de volumes abaixo da média não significa ausência de chuva, mas acumulados inferiores ao esperado. No verão, seguem comuns os temporais isolados, capazes de gerar altos volumes em áreas restritas.

O calor mais intenso também afeta o desempenho das lavouras, uma vez que eleva a transpiração das plantas e aumenta a perda de umidade para a atmosfera. O La Niña ainda favorece a entrada de massas de ar frio no Sul do Brasil. Em contrapartida, períodos secos ampliam o risco de ondas de calor e extremos de temperatura.

Agrometeorologia

O boletim trimestral do Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs), coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), aponta ao mesmo prognóstico. 

Segundo o órgão, os maiores desvios negativos de precipitação pluvial devem ocorrer na metade sul e oeste do estado, especialmente entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. Nos meses de janeiro e fevereiro, as chuvas ainda podem ficar ligeiramente abaixo da média, com maior irregularidade espacial. 

As temperaturas do ar sobem gradativamente ao longo do primeiro trimestre, devendo ter anomalias mais positivas em relação aos meses anteriores, com possíveis ondas de calor. Com o aquecimento, eventos de granizo e tempestades típicas de verão, com rajadas de vento, podem ocorrer.

Cenário para 2026

Para o início de 2026, a NOAA projeta a persistência do La Niña, com 55% de probabilidade de transição para neutralidade no primeiro trimestre. Até o momento, não há sinais consistentes da formação de um El Niño, o que impede previsões mais precisas sobre enchentes com base apenas no comportamento do Pacífico.

O NIH ressalta, porém, que o aquecimento global já altera de forma mais evidente os padrões de chuva. Com temperaturas mais altas, a atmosfera consegue reter mais vapor d’água, favorecendo tempestades mais intensas e irregulares. O Brasil figura entre os cinco maiores emissores de gases de efeito estufa, e as projeções para o Rio Grande do Sul indicam aumento de temperatura entre 1,5°C e 4°C nas próximas décadas.

Estudos da Agência Nacional de Águas (ANA) apontam maior variabilidade hidrológica no Sul, com alternância entre estiagens e episódios de chuva forte. “Eventos extremos, antes raros, já se tornaram mais frequentes no clima atual”, observa o núcleo. Na região hidrográfica do Guaíba, esse comportamento amplia a probabilidade de chuvas extremas, enchentes e deslizamentos, mesmo sem a presença de El Niño.

Assim, embora a oscilação entre El Nino e El Niña não indique de forma direta um retorno imediato de inundações em 2026, o NIH avalia que as condições impostas pelo aquecimento global tornam mais provável a ocorrência de eventos de chuva intensa nos próximos anos.

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