O violonista autodidata Romeu Eckel tem 82 anos. É o autor do Hino da Emancipação de Teutônia, canção que acabou sendo utilizada como hino do município desde a campanha da emancipação até 1998 – quando foi instituído oficialmente o atual Hino Municipal de Teutônia, composto pela professora Waltraude Wartschow (em memória). Nascido em 1943, aos 18 anos Romeu foi trabalhar na sede que a Cooperativa Languiru possuía em Porto Alegre, e seu objetivo era estudar Agronomia. Como as aulas eram diurnas, acabou se dedicando integralmente ao trabalho e se graduou mais tarde em Comunicação, na Unisinos, em 1977. Mesmo morando longe, nunca se desligou das suas raízes, sempre mantendo ligação com Teutônia. Retornou definitivamente ao município em 1995 e completou 53 anos de serviços dedicados à cooperativa.
Como foram as tentativas para emancipar Teutônia?
Romeu Eckel – Antes de 1981, houve outras tentativas. Porém, como nenhum dos distritos (Teutônia, Languiru e Canabarro) abria mão de ser a sede, essa falta de unidade impediu que a movimentação tivesse êxito. Um sozinho não conseguiria, os três deviam se juntar para ter população suficiente. Em 1981, o Elton Klepker (em memória) conseguiu juntar os três, dando o nome de Teutônia ao município e fazendo com que a sede, o Centro Administrativo, ficasse exatamente na divisa entre Languiru e Canabarro, o que, finalmente, foi aceito pelas lideranças dos distritos.
Como surgiu o convite para criar o Hino da Emancipação?
Eckel – Certo dia, o Klepker pediu que eu escrevesse uma letra, usando a temática da união entre os três distritos, em cima de uma melodia alemã. Criei o texto em pouco tempo, em cima da música Alte Kameraden, do folclore alemão, muito conhecida em nossa região. A letra diz assim: “Salve a nossa independência e o progresso da região, conquistados com a vitória na emancipação, que é a força da união, que é a força da união: Canabarro, Languiru, Teutônia reunidos em um só município de valor é o que nós vamos, vamos, vamos ser; município de valor é o que nós vamos ser”.
Quando escutaste a tua letra em cima da música pela primeira vez?
Eckel – Numa determinada data, antes da emancipação, a banda que animava os comícios, regida pelo Airton Grave, já tinha o arranjo para a música. Foi feita uma festa, na Associação dos Funcionários da Languiru (Mimi), para as escolas. Era uma grande emoção ver os alunos cantando o hino com a letra que criei. Me impressionei muito com essa cena.
Desde quando tocas violino?
Eckel – O instrumento estava em casa, era da minha mãe. Num determinado dia, quando os alunos do Colégio Teutônia estavam ensaiando com seus instrumentos, decidi pegar o violino. Após colocar as cordas, me reuni com os colegas e começamos a tocar. Como um deles estudava violino, eu o observava. Assim fui aprendendo e pegando as músicas de ouvido, sem professor. Quando fui a Porto Alegre, com outros músicos, no final da década de 1960 e início dos anos 1970, fundamos a Bandinha Mimi. Tocávamos todos os finais de semana em todos os clubes, inclusive na Sogipa.
Durante esse tempo mantinhas a ligação com Teutônia?
Eckel – Sim. Nos encontrávamos no Clube Teutoniense, aos sábados, através do grupo de bolão. Daí foram se juntando cada vez mais pessoas e muitos músicos. Fomos convidados, inclusive, para participar da Oktoberfest, em Santa Cruz do Sul, na segunda metade da década de 1990. Como a gente tocava somente música antiga, uma pessoa “batizou” nosso grupo de Os Flinstones e o nome ficou. Tocamos em vários lugares, aniversários, bailes, em diversos lugares. Mais recentemente, seguimos tocando como Bandinha Teutônia em diversos eventos. Nos encontramos sempre na primeira sexta-feira do mês, em Fazenda Vilanova, o que vai aumentando a quantidade de músicos participantes. Sempre temos eventos e convites para tocar. Desde a época de Porto Alegre, sempre encontrávamos motivo para se juntar, tocar e festejar. Até hoje segue sendo assim. Minha vida sempre foi muito boa nesse meio, porque eu gosto de música e tenho muitas amizades.