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PREÇO DA CEIA

Itens básicos recuam, mas carnes elevam orçamento

Batata-inglesa, arroz e azeite apresentam maiores quedas, enquanto que bacalhau e peru pressionam custo final da celebração

Por: Marcel Lovato

23/12/2025 | 10:31
Produto tradicional, panetone apresenta alta entre 7% e 20% (Foto: Marcel Lovato)
Produto tradicional, panetone apresenta alta entre 7% e 20% (Foto: Marcel Lovato)

A ceia de Natal chega ao consumidor brasileiro com alívio parcial nos preços. É o que indica o levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV). Até novembro de 2025, a inflação geral dos itens típicos da data apresentou variação de 0,10%, o que demonstra uma desaceleração ampla em relação aos 4,48% observados no ano passado.

Conforme a pesquisa, a queda foi impulsionada, principalmente, por itens básicos e acompanhamentos tradicionais, que haviam encarecido de forma significativa em 2024. A batata-inglesa lidera o movimento de baixa, com recuo de 39,93%, seguido pelo arroz (- 23,74%) e até o mesmo o azeite (-19,16%), tradicionalmente marcado pelo alto custo. Neste caso, a mudança se deu, especialmente, por conta da retirada da taxa de importação. O resultado, segundo a FGV, reflete a normalização das cadeias de oferta, melhora das condições climáticas no Brasil e a desaceleração das commodities agrícolas globais.

Carnes em alta

Por outro lado, o comportamento não foi uniforme. As proteínas, principalmente, pressionam o bolso do consumidor. O destaque negativo fica por conta do bacalhau, item tradicional tanto no Natal quanto no Réveillon, que teve alta expressiva de 20,25%.

Esse fator se deve à influência pelo câmbio menos favorável em parte do ano e por restrições internacionais de oferta. Com 13,62%, o peru figura em segundo lugar nessa escalada, seguido pelas carnes bovinas (9,46%), pernil (8,32%), frango (7,78%) e lombo (7,47%). Já o panetone apresentou variação entre 7 e 20%, de acordo com a região.

De acordo com o pesquisador do FGV IBRE, Matheus Dias, a conjuntura econômica foi determinante para o comportamento dos preços. “A desaceleração global combinada à melhora das safras reduziu as pressões sobre os alimentos, mas a valorização do dólar e os custos logísticos mantiveram a pressão”, avalia. Em síntese, os acompanhamentos recuaram ou tiveram altas mínimas, enquanto que os pratos principais desequilibraram. No entanto, o custo final, naturalmente, vai depender da quantidade e de quais alimentos serão escolhidos para a ceia.

Perspectivas

De acordo com a Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), as vendas devem apresentar crescimento moderado em relação ao Natal do ano passado, em patamar semelhante à inflação acumulada entre janeiro e novembro. Ou seja, 3,9%. Um dos principais motivos para a perspectiva cautelosa é o nível de endividamento das famílias. Entre as alternativas pelas grandes redes, estão a ampliação do estoque de cestas prontas e mais opções de parcelamento.

Todavia, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) possui expectativas bem distintas. A entidade destaca que o consumo deve crescer, em média, 15%. Esse otimismo se dá, principalmente, pela combinação da renda reforçada no fim do ano e a ampliação das encomendas pelos supermercados, a fim de atender a demanda.

Dicas para economizar na ceia de Natal e Ano-Novo

  • Planeje o cardápio com antecedência: Evite compras por impulso e desperdício de alimentos.
  • Pesquise e compare preços: Verifique valores em diferentes supermercados, atacados e feiras.
  • Substitua itens tradicionais caros: Troque peru e tender por frango, pernil suíno ou cortes mais acessíveis.
  • Priorize produtos da estação: Frutas e legumes da safra são mais baratos e mais frescos.
  • Evite produtos prontos e ultraprocessados: Preparar os pratos em casa reduz custos e melhora o aproveitamento.
  • Controle os gastos com bebidas: Diminua a variedade, opte por marcas nacionais ou divida as bebidas entre os convidados.
  • Compre apenas o necessário: Calcule as quantidades conforme o número de pessoas para evitar sobras e desperdícios.
  • Reaproveite as sobras: Use os alimentos em novas receitas nos dias seguintes.
  • Prefira marcas próprias e produtos locais: Geralmente são mais baratos e com boa qualidade.
  • Divida a ceia com familiares ou amigos: Cada convidado contribui com um prato ou bebida, reduzindo o custo total.

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