É inegável que cada vez mais o movimento coral aqui no Vale está perdendo fôlego nos últimos anos, principalmente depois da pandemia de covid. Já era notório que a maioria dos corais tinha em sua faixa etária de integrantes uma grande maioria de pessoas entre os 60 e 80 anos, mostrando que a renovação dos cantores não estava acontecendo, ou pelo menos de forma bem tímida. E nisso poderíamos citar vários fatores, dentre os quais destaco aqui os quatro principais: a popularização de outras manifestações culturais mais atraentes; a falta de atualização de repertório dos corais; a falta de reciclagem de alguns regentes; e o pouco incentivo aos jovens para despertar essa prática.
Começando pelo último, mas para mim, o mais importante, o contato e incentivo ao canto coral às crianças, aos jovens, principalmente nas escolas, é uma das formas mais eficazes para tentar manter essa tradição que tanto já fez ao nosso Vale. É desde cedo que podemos despertar o interesse dos nossos filhos no canto coral, mostrando todas as benesses desta importante forma de socialização através da cultura, dando acesso e oportunidade desses jovens crescerem num ambiente comunitário, onde o convívio social, cultural e harmonioso é incentivado. Cantar em um coral é uma das formas mais inclusivas de promover o bem social e coletivo. E os prefeitos e secretários de educação dos nossos municípios precisam lançar o olhar sobre essa questão, pois é nessa faixa etária, dos 5, 6, aos 12,13 anos, que podemos incentivar e despertar o interesse pelo canto coral.
Outro fator, e não menos importante, pra manter e conseguir mais adeptos para nossos corais, é a atualização do repertório. E isso perpassa pela reciclagem também dos regentes e maestros. Participando de alguns encontros de corais na região, notei que muitos corais insistem em manter um repertório que não é renovado há mais de quatro ou cinco décadas. Isso, por um lado, é bom, pois a busca por manter as tradições de nossos antepassados sempre foi uma constante em nossa região; mas, por outro lado, a cultura do nosso estado e país vai evoluindo, se modernizando, e assim também precisamos acompanhar nas músicas atuais, buscando essas novidades, com arranjos elaborados, para atrair pessoas mais jovens, para que possamos manter e renovar esses corais e todo esse meio cultural.
Por fim, como já tratei em colunas anteriores, precisamos sentar e “falar sobre esse assunto”, com todos os interessados neste meio, para que juntos possamos encontrar uma forma de continuar e aperfeiçoar essa tradição, com o temor de daqui há uma, no máximo duas décadas, contabilizarmos o encerramento de vários grupos vocais, corais, sociedades de canto e afins.