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Agro em Foco

Desafios da produção de leite na Agricultura Familiar

Opinião de Márcio Mügge, administrador

05/02/2026 | 10:28 Atualização: 05/02/2026 | 14:24

O desafio da agricultura familiar no Brasil é, essencialmente, um exercício de resiliência e estratégia. Para o pequeno produtor, característico da Região dos Vales, a propriedade não é apenas uma moradia, mas uma unidade produtiva que exige muito profissionalismo, trabalho e persistência, para se manter minimamente viável.

A necessidade de gestão da propriedade não é mera burocracia, é sobrevivência. O produtor que não destina o devido tempo e atenção nessa atividade, identificando os mais variados custos com os insumos, investimentos, despesas variadas, corre o risco de “pagar para trabalhar”, sem considerar as circunstâncias sobre as quais não tem controle, mas que precisa observar também, como ações governamentais e interferências do clima. Uma gestão eficiente permite identificar os movimentos que mais trazem resultado e dão lucro e onde o dinheiro está “vazando”, permitindo um planejamento financeiro que suporte as épocas de entressafra e momentos de baixo de preço de produtos, principalmente.

Na produção leiteira, o cenário atual de preços baixos e alta das importações exige que o produtor foque no que ele pode controlar: a porteira para dentro. Como o preço é ditado pelo mercado, a única forma de aumentar a margem é reduzir o custo aumentando a escala de produção. Receita fácil de entender, mas extremamente complexa e difícil de executar, considerando os dilemas da mão de obra, recursos para investimentos, políticas públicas, além do tamanho das propriedades e as dificuldades com a logística. Produzir leite pode ser considerado uma das atividades mais complexas da agricultura familiar, pois exige dedicação 24 horas por dia nos 7 dias da semana, conhecimento técnico, investimentos, além do atendimento às Exigências Normativas do setor. Mas, o resultado dessa operação é um dos alimentos mais completos da natureza, sendo um pilar fundamental da segurança alimentar da sociedade, além da sustentação econômica da maioria das propriedades rurais do nosso estado.

Plantio de milho: para silagem ou grão?

Essa é uma decisão estratégica importante que pode decretar o resultado financeiro da propriedade. Enquanto que a silagem estabelece uma garantia e condição na produtividade leiteira, reduzindo custos com aquisição de outras fontes de alimento, o grão é uma commodity que pode oferecer vantagens focadas em comercialização, logística e flexibilidade financeira, com mercado mais líquido e imediato. O problema se estabelece quando o mercado direciona demais para um dos lados, como na atual conjuntura, quando o milho está ficando para grão, baixando o preço e até dificultando o recebimento nos silos disponíveis em nossa região, cuja capacidade de armazenagem já está praticamente lotada.

Mais gestão e menos suor

A sustentabilidade na agricultura familiar depende, atualmente, menos do suor físico e mais da capacidade de análise de dados, de gestão da propriedade! Cansaço ao final de um dia intenso de trabalho não significa resultado financeiro positivo certo!

RÁPIDAS

  • O RS produz aproximadamente 3,84 bilhões de litros de leite por ano, segundo dados do Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite 2025 da Emater/RS-Ascar
  • Esse volume representa cerca de 12% da produção brasileira. RS fica atrás apenas de Minas Gerais e Paraná
  • Tendência – há um movimento de concentração. Enquanto a produtividade por vaca está aumentando, o número de famílias produtoras vem diminuindo. Em 2025, a produtividade média por animal cresceu, mas o número de estabelecimentos que comercializam leite caiu
  • A principal região produtora do estado é o Noroeste Gaúcho, chegando a produzir mais de 2 bilhões de litros anualmente
  • A Região do Vale do Taquari é a região com a maior produtividade por área. Embora as propriedades sejam menores, a eficiência é alta

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