5 de março de 2026
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VISÃO DE NEGÓCIO

Você pode aprender a liderar. Mas não pode fingir brilho nos olhos

Opinião de Maria Lúcia Griebeler, Psicóloga Alta Performance

05/03/2026 | 11:10

Vivemos uma época em que quase tudo pode ser aprendido. Liderança, comunicação, gestão, produtividade. Existem cursos, métodos e fórmulas para praticamente qualquer competência profissional. E isso é positivo – desenvolver habilidades nunca foi tão acessível.

Mas existe algo que nenhum treinamento entrega: o brilho nos olhos. Você pode aprender a liderar, negociar ou apresentar resultados. O que não pode é fingir entusiasmo verdadeiro, interesse genuíno ou paixão pelo que constrói todos os dias. E o mercado percebe. As equipes percebem. Os clientes percebem.

Há profissionais tecnicamente preparados, mas emocionalmente desconectados. Executam tarefas, cumprem metas e seguem processos, porém sem energia, sem curiosidade e sem senso de propósito. Trabalham no automático, esperando motivação externa para fazer o mínimo necessário.

O problema é que ambientes assim até funcionam, mas raramente evoluem. Não existe ambiente mais poderoso do que aquele formado por gente que se importa de verdade. Não é sobre romantizar o trabalho ou viver motivado o tempo todo. É sobre responsabilidade emocional com aquilo que se escolhe construir. Pessoas apaixonadas não esperam ordens para melhorar processos, não trabalham apenas pelo relógio e não se escondem atrás do mínimo necessário.

A grande diferenciação profissional deixou de ser apenas técnica. Hoje, o que separa profissionais comuns daqueles que se tornam referência é presença, curiosidade e vontade real de evoluir. E talvez a pergunta mais desconfortável seja também a mais necessária: você ainda sente brilho nos olhos pelo caminho que está trilhando, ou apenas aprendeu a parecer competente nele? Porque técnica pode colocar você na mesa. Mas energia, presença e intenção definem quanto tempo você permanece relevante nela.

Empresas buscam performance, mas o que sustenta resultados são pessoas vivas, curiosas e comprometidas. E isso começa com uma escolha individual: permanecer no piloto automático ou assumir protagonismo sobre a própria trajetória.

No fim, liderança ou crescimento profissional não é apenas um cargo, é uma postura diante da vida profissional. E nenhum currículo substitui aquilo que não se ensina: a vontade verdadeira de construir algo que faça sentido.

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