A Escola Estadual Reynaldo Affonso Augustin está vivendo uma experiência inédita em sua história. Duas estudantes da Katholische Fachschule für Sozialpädagogik IFSB Ulm, da Alemanha, estão realizando estágio com estudantes do 1º ao 5º ano, como parte dos seus estudos para se tornarem professoras. Uma delas é a teutoniense Camila da Sillva Nunes, 25 anos, que é ex-aluna do Augustin, e a outra é a alemã Jule Beljak, de 21 anos. Ambas são colegas na universidade.
Camila conta que, em 2020, foi trabalhar como Au pair – que é um programa de intercâmbio para jovens que viajam ao exterior para cuidar de crianças e morar em casas de famílias. Depois, atuou como voluntária numa creche, estudou para ser vendedora e mudou para se formar como professora. “Iniciamos o curso em 2024. No primeiro ano já nos informaram que haveria uma prática em outro país e eu logo defini que gostaria de voltar, para visitar a família e trabalhar aqui no Augustin”. Ela lembra que, após o estágio, elas retornam à Alemanha, no início de abril, para concluir o curso até 2026.
Jule está encantada com a recepção e garante que está se sentindo muito bem acolhida por todos. Ela revela que quando revelou aos colegas de trabalho, na Alemanha, que viria fazer estágio no Brasil, surpreendeu a todos. “Na minha turma, a maioria realizou o estágio em sua localidade de origem. Porém, eu gosto de viver experiências novas e fiquei muito contente em poder vir para cá para viver esta experiência com a Camila”. Ela garante que está aprendendo a se comunicar e que o fato de ter estudado espanhol por meio ano foi uma base importante para aprender o português. “A escola e os colegas também estão me auxiliando no aprendizado da língua”. Junto dos alunos, ela auxilia no desenvolvimento das tarefas de casa. “Às vezes, a gente precisa ditar as letras, e isto agora já é possível com o que eu já aprendi em português. E quando as crianças têm perguntas têm dúvidas eu pergunto para a Camila e ela me ajuda a traduzir as frases para que eu possa me comunicar com elas”, completa.
Como foi
O professor Vitor Krabbe explica que Camila entrou em contato para verificar a possibilidade de realizar este período prático aqui, o que foi prontamente aceito e os trâmites legais foram realizados, também na Alemanha, para viabilizar o estágio, que é reconhecido no instituto alemão onde ambas estudam. “Elas acompanham as crianças menores, dão apoio dos professores, trazem materiais e desenvolvem um trabalho cooperativo. Depois, quando elas retornarem, vão apresentar o que fizeram aqui e as portas ficarão abertas para futuros estágios”, destaca Krabbe.
A orientadora educacional e responsável pelos estágios na Augustin, Ivete Cecília de Souza, entende que a vinda das estudantes é muito gratificante, principalmente pela passagem de Camila pela escola, levando um retrato positivo do educandário para a Alemanha. “Para mim, é muito prazeroso ser mediadora para o estágio. Estamos aqui para aprender, estamos em constante aprendizagem e esta experiência é única na minha caminhada como professora.
Para a diretora, Mariane Ahlert, o sentimento é de muito orgulho. “É sinal que a Augustin está fazendo história, porque acredito que esta experiência seja inédita no município”. Ela garante que a questão da documentação foi muito tranquila e que a escola logo aceitou acolher as estudantes, entendendo que oportunidades assim são importantes. “Elas estão fazendo a diferença, porque já percebi como estão conseguindo interagir com os pequenos, através dos jogos e das outras atividades. A presença delas está transformando a escola e está deixando os próprios alunos muito felizes”, completa Mariane, assegurando que a escola está aberta a todos os tipos de estágios.