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ILUSTRE CIDADÃO

“Muitos duvidavam, e isso fez com que eu estudasse e me empenhasse ainda mais”

O quadro Ilustre Cidadão entrevista Flávio Sanders

12/03/2026 | 09:37 Atualização: 12/03/2026 | 09:37
Flávio Sanders
Flávio Sanders

O ex-professor de Língua Portuguesa e ex-diretor Flávio Sanders tem 77 anos. Natural de Linha Catarina, tem um legado de 38 anos dedicados ao ensino. Além de diretor na extinta Escola Evangélica General Canabarro, no Ieceg e na Escola Estadual Reynaldo Affonso Augustin, também exerceu a função na Escola Gaspar Silveira Martins, de Venâncio Aires. Atuou como professor nas EMEFs Floriano Peixoto, em Linha Catarina, Dom Pedro I, em Linha Clara, Bento Gonçalves, em Boa Vista, nas escolas estaduais Tancredo de Almeida Neves e Gomes Freire de Andrade, em Languiru, e no Colégio Teutônia. Como secretário de Indústria e Comércio no município de Teutônia, de 2005 a 2008, teve papel decisivo na atração de empresas que até hoje se destacam no município.

Como foi o caminho para tua formação?

Flávio Sanders Fiz o primário na Escola Fernando Peixoto e depois tive a oportunidade de ir para São Leopoldo, em 1962, estudar na Escola Normal Evangélica, que era uma escola formadora de professores. Inicialmente eu estava em dúvida se eu queria de fato ou não ser professor, mas, durante a caminhada, me convenci de que seria uma profissão que eu poderia tranquilamente exercer e me sentir bem. Depois, fui para o exército e cheguei a me graduar como cabo enfermeiro, com convite de me transferir para o Rio de Janeiro para fazer o curso de sargento. Porém, repensei meu futuro e voltei para fazer meu estágio de professor, em Boa Vista.

E como foi tua atuação como professor?

Sanders De 1969 a 1971, trabalhei em Santa Cruz do Sul, em escola municipal, e retornei para ser professor em Linha Catarina, a convite do presidente do CPM da Escola Floriano Peixoto. Normalmente, como diz o ditado, “santo de casa não foi um milagre”, mas eu acredito que fui bem, fiz um bom trabalho na minha localidade natal. Simultaneamente, comecei a fazer também o curso colegial, que é o magistério hoje, com três anos de estágio durante as férias. Terminado isso, entrei na faculdade e fiz o curso de Letras, em Estrela e Passo Fundo. Me formei na curta, em 1976, e na plena, em 1986, em Santa Cruz do Sul. Também comecei a lecionar no Colégio Teutônia, que tinha, na época, extensões em Boa Vista e em Linha Clara. Em 1979, vim morar em Canabarro, a convite da comunidade evangélica, para ser o diretor e professor da Escola Evangélica General Canabarro. À noite, eu lecionava na Escola Cenecista e, entre 1989 e 1994, fui também diretor. Depois, em 1994, assumi a direção da Escola Gaspar Silveira Martins, de Venâncio Aires, onde permaneci até 1997. Retornei em 1998 e atuei na Escola Estadual Reynaldo Affonso Augustin, onde exerci a função de diretor em 2004, no último ano. Tenho também curso de pós-graduação em Administração Escolar pela Feevale. Foram 38 anos dedicados ao ensino.

Quais os legados deixados por ti no trabalho como secretário de Indústria e Comércio de Teutônia?

Sanders Foram quatro anos, de 2005 a 2008. Até então, era uma secretaria nova, criada um ano e meio antes. Tivemos muitos momentos difíceis, mas foram muito importantes para a minha formação. O maior problema, na época, era o calçado, que enfrentava uma crise muito forte no Bairro Canabarro. O fechamento de empresas deixou centenas de pessoas sem trabalho. Em muitas casas foram colocadas placas de “vende-se” ou “aluga-se”, porque as pessoas estavam indo embora. Conseguimos, através de uma política pública de incentivos, atrair a Beira Rio e a Piccadilly, duas indústrias de calçados que resolveram todo o problema da mão-de-obra ociosa. Além disso, várias indústrias grandes surgiram, como a Reinigend Química, a American Nutrients, entre outras. Regularizamos e vendemos dezenas de áreas para pequenas empresas. No penúltimo dia de trabalho como secretário, em 30 de dezembro de 2008, ainda assinamos 11 contratos com empresas. Os empresários passaram a ter confiança no município. A lei de incentivos e subsídios, aprovada no início daquela administração, foi fundamental para criar estas possibilidades. Outro aspecto fundamental foi o apoio recebido pelos colegas e colaboradores para o êxito no trabalho. Foi um momento de muito progresso.

Qual a sensação de ter contribuído com a educação e com o desenvolvimento do município? 

Sanders Estou muito feliz com o que eu consegui fazer. É uma realização pessoal pensar em todas as crianças, jovens e adultos que passaram por mim nas escolas. Depois, como secretário, muitos duvidavam, porque eu não tinha realizado nenhuma atividade na área da indústria e comércio, e isso fez com que eu estudasse e me empenhasse ainda mais. Participei de cursos, encontros e fóruns, tive muito contato com outros secretários da área. Me sinto realizado por ter contribuído muito nesse setor. Inclusive, recebi uma homenagem, em 2023, do Siticalte, em reconhecimento ao meu trabalho. Isso é um sinal de que alguma coisa boa a gente deixou. É um documento que comprova a eficácia do trabalho realizado.

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