20 de março de 2026
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agro em foco

Novamente a seca prejudicando o campo e a cidade

Opinião de Márcio Mügge, administrador

19/03/2026 | 10:34 Atualização: 19/03/2026 | 10:38

A falta de chuva é um dos maiores desafios do agronegócio, pois a água é o insumo vital para o desenvolvimento biológico das plantas e a manutenção da pecuária. O impacto é sistêmico, afetando desde a germinação até o preço final dos alimentos no supermercado.

A escassez hídrica compromete diversas fases do ciclo agrícola: desde a germinação e plantio, quando a baixa umidade no solo impede que as sementes brotem adequadamente, muitas vezes forçando o produtor a realizar o replantio, elevando os custos de produção; o desenvolvimento e a produtividade, quando a falta de água dificulta o crescimento, reduzindo e prejudicando a formação de frutos. Além disso, a estiagem interfere diretamente na qualidade dos produtos, impactando na propriedade nutricional e consequente valor comercial.

A falta de chuvas não impacta apenas o produtor; afeta toda a sociedade. Com a quebra da safra, a oferta de alimentos é reduzida, o que gera pressão inflacionária e encarece a cesta básica para o consumidor: os preços dos alimentos nas prateleiras sobem! Os produtores, com as perdas, passam a enfrentar dificuldades para quitar financiamentos, fazer investimentos e reduzem o seu poder de compra, impactando diretamente o comércio e os serviços nos municípios. Em escassez hídrica prolongada, compromete o abastecimento global de alimentos, especialmente em regiões mais vulneráveis.

A região do Vale do Taquari enfrenta uma estiagem severa que impacta diretamente a economia, agravada pela La Niña. Estima-se que as perdas nas plantações da região fiquem entre 20% e 30% neste ciclo. A soja é uma das culturas mais afetadas, com grãos que não se desenvolvem plenamente devido à falta de umidade no solo.

Com a continuidade da seca, haverá um atraso na implantação de pastagens de inverno, antecipando o fim das forrageiras de verão. Isso deverá gerar uma perda de peso e escore corporal nos rebanhos.

Estratégias para mitigar os impactos da estiagem

Para enfrentar períodos de seca, existem tecnologias e práticas de manejo que podem reduzir os impactos. A irrigação é uma alternativa, pois permite a produção em ambientes de escassez. Mas, o processo não é tão simples, pois tem os seus entraves burocráticos e legais. Os custos elevados de investimento para aquisição e implantação do sistema são uma grande dificuldade, além das dificuldades topográficas em nossa região, e da disponibilidade de água armazenada: a maioria dos produtores não possuem reservatórios com capacidade suficiente para suportar períodos intensos de seca.

O plantio direto é uma técnica que ajuda a manter a umidade e os nutrientes no solo, minimizando os efeitos imediatos da falta de precipitação. Além disso, o monitoramento climático, com o uso de dados e previsões, pode ajudar o agricultor a planejar melhor as janelas de plantio e colheita.

La Niña e os seus efeitos

É um fenômeno climático natural que impacta muito a nossa região. Provoca secas severas e chuvas abaixo da média. É grande responsável pelas quebras de safra. As passagens de frentes frias ficam mais rápidas, impedindo que a chuva se acumule. Diferente do El Niño, que traz muita chuva para o RS, o La Niña reduz a umidade justamente nos meses críticos de desenvolvimento das culturas de verão (soja e milho). Além disso, ele pode favorecer geadas tardias ou precoces, prejudicando o ciclo das plantas.

RÁPIDAS

• Diversos municípios gaúchos decretaram situação de emergência. No estado, o prejuízo estimado apenas para a safra de soja pode superar os R$ 14 bilhões.
• A região registrou temperaturas elevadas no período, com sensações térmicas chegando a 44°C em períodos recentes. O calor intenso em janeiro e fevereiro forçou uma revisão negativa de mais de 7% na estimativa total de grãos do estado.
• Prejuízos Financeiros: estimativas da Emater/RS-Ascar de Teutônia indicam perdas econômicas superiores a R$ 14,2 milhões no município, especialmente nos meses cruciais de desenvolvimento das safras, projetando impactos de até 30% na produção de milho já no início do ciclo, confirmados pela escassez de precipitações entre dezembro e janeiro.
• Fim do Fenômeno: a agência climática NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) confirmou em 12 de março que o La Niña está chegando ao fim, com 75% de probabilidade de transição para uma fase neutra até abril.
• Março em Teutônia: a previsão para a segunda quinzena de março ainda aponta sol com nuvens e chuvas rápidas isoladas, que trazem alívio pontual, mas não revertem o déficit hídrico acumulado.

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