A chegada dos imigrantes alemães ao RS inaugurou uma nova forma de imigração, diferente da que ocorreu no sudeste, movida, principalmente, pelos interesses do café. Enquanto que o processo gaúcho introduziu a colonização estrangeira com um modelo de pequenas propriedades rurais no início do século XIX, a imigração para o sudeste deu início à formação do mercado de trabalho livre na região de São Paulo. O novo modelo permitiu aos imigrantes estabelecerem-se como pequenos proprietários rurais.
O sistema de produção colonial gaúcho, que contrastava com o sistema baseado no latifúndio exportador que se configurava como setor dinâmico do sistema de produção brasileiro, assumiu o caráter de complementaridade em relação à economia como um todo.
As pequenas propriedades coloniais estabelecidas dedicaram-se à produção de autossuficiência (lavoura e pecuária), mas, desde cedo, geraram excedentes para o abastecimento do mercado interno, face à necessidade de conseguir recursos para pagar as dívidas assumidas na colonização com a compra da área de terras, formando assim um setor complementar no contexto da economia nacional. Diferente do sistema de sesmarias, que fora inicialmente a forma usada no estabelecimento de culturas e de povoamento das terras no Brasil, as pequenas propriedades dos imigrantes tinham como objetivo produzir para o mercado consumidor e com isto criou-se a mentalidade comercial.
A introdução deste modelo produtivo representa um marco histórico para o Brasil, pois traz um novo conceito: valorização do trabalho praticado pelos integrantes da família na pequena propriedade familiar. Enquanto que no conceito escravista o trabalho físico era visto como algo forçado e que colocava o indivíduo em escala inferior, o imigrante vem com a visão de que o trabalho físico dignifica o indivíduo e é algo salutar para o desenvolvimento da pessoa humana. Assim, os imigrantes alemães trazem para o Brasil a conhecida agricultura familiar, com características específicas no desenvolvimento das atividades, em que o capital está aliado ao trabalho e a remuneração ocorre através da distribuição dos resultados.
Esse sistema, que persiste na atualidade em pequenas propriedades rurais, traz uma forma de gestão conjunta, sem dicotomia de patrão e de empregado. Os membros da família, que atuam sem receber salários, apropriam-se dos resultados gerados no final de cada ciclo produtivo. Esse modelo é um dos esteios da base econômica de muitas regiões e um dos principais responsáveis pela produção de alimentos no país.