A fé cristã, muito mais do que um conjunto de dogmas e teorias com longo desenvolvimento histórico é, acima de tudo, a sabedoria de reconhecer a presença viva de Jesus no encontro com os semelhantes. A presença de Jesus num encontro aproxima as pessoas, gera alegria, transmite paz e renova a vida.
Jesus ensina um jeito cativante de se relacionar. Um bom relacionamento começa com a virtude de saber ouvir. Jesus ouviu muito mais do que pregou. E quem ouve as pessoas, quando tem a oportunidade, encontrará palavras na hora de falar que aquecem o coração e animam a viver.
Por muito tempo acreditou-se que a fé se propagava pela doutrinação. As novas gerações mostram, porém, que este jeito de evangelizar não corresponde mais à realidade. As pessoas estão cansadas de longos discursos, mas parecem cada vez mais ansiosas por encontros verdadeiros. Estes encontros podem ser gerados por uma fé que ouve, acolhe e depois partilha, conversa e se alegra com a comunhão que surge.
Que a história nos perdoe pelas vezes que, como comunidade de fé, não ouvimos, só quisemos falar. Esta prática gerou tantas barreiras e desencontros, que mais afastou as pessoas de nós e de Cristo do que aproximou. E vamos aproveitar os sinais que o mundo hoje nos dá para nos converter.
Vemos já em alguns lares e espaços de trabalho o amadurecimento que surge pela capacidade de conversar entre as pessoas, mesmo com ideias e vidas tão diferentes. Vemos nas igrejas muitos grupos e ministros que desenvolvem práticas de acolhida e interação entre as pessoas. E vemos, com esperança, que na sociedade cresce a busca pela verdadeira fé.
A fé cristã depende de bons encontros. Nas orações, nas celebrações, nas festas, nos bate-papos, onde dois ou mais se reúnem no nome do Senhor, no meio deles Jesus promete marcar presença e se dar a conhecer. Que possamos valorizar cada vez mais no dia-a-dia, os encontros genuínos de fé e vida.