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DE ONDE VEM ESSE NOME

Bairro Languiru: por que um nome indígena na colônia alemã

Adotada há 82 anos, quando o distrito ainda pertencia a Estrela e a cooperativa homônima ainda não existia, nomenclatura possui versões distintas transmitidas entre gerações

Por: Marcel Lovato

11/05/2026 | 15:30 Atualização: 11/05/2026 | 15:32
O território do atual Bairro Languiru em 1935. Na época, distrito de Estrela e denominado "Pinheiro Machado". Foto: Divulgação
O território do atual Bairro Languiru em 1935. Na época, distrito de Estrela e denominado "Pinheiro Machado". Foto: Divulgação

Por que a nomenclatura “Languiru”?  Como se deu a transformação do território do atual bairro? Essas e outras questões são respondidas no projeto “De onde vem esse nome?”, iniciativa do Informativo Regional voltada à valorização das riquezas históricas e culturais, bem como das passagens que alicerçaram o desenvolvimento das comunidades de Teutônia e região.

O atual Bairro Languiru teve origem nas terras da antiga Picada Glück-auf (“Boa Sorte”), colonizada, de acordo com o historiador e pesquisador Guido Lang, entre as décadas de 1860 e 1870 pelas famílias Feldens, Ritter, Lambert, Dreier, Henchen, Feldmeier, Hünemeier, Beckmann, Berwig e Knebelkamp. Inicialmente, estava vinculada também à picada Boa Vista  e à área correspondente ao Bairro Teutônia.

Versões e nomenclaturas

Ao longo do tempo, o território recebeu diferentes denominações. Até 1892, era chamado de Picada Glück-Auf. Entre 1892 e 1938, recebeu a nomenclatura de Distrito Pinheiro Machado, em homenagem ao senador gaúcho José Gomes Pinheiro Machado. Depois, entre 1938 e 1944, adotou o nome Ouro Branco, uma referência à produção, em larga escala, de banha de porco. A partir de 1944, Languiru e, desde a emancipação de Teutônia, em maio de 1981, consolidou-se como Bairro Languiru.

A origem do nome “Languiru” possui duas versões difundidas ao longo da história. A principal delas aponta que a denominação seria uma adaptação linguística do nome do líder indígena Nicolau Nhenguiru — ou Nãnguiru — morto em 10 de fevereiro de 1756, na Batalha de Caiboaté, durante a Guerra Guaranítica (1753-1756). Ele foi parceiro de Sepé Tiaraju na resistência indígena contra tropas portuguesas e espanholas.

Outra versão sustenta que o nome faz referência a uma tribo indígena que ocupava a região antes da colonização e,  conforme relatos da comunidade, até era ensinada nas escolas teutonienses.  No entanto, ambas são baseados em relatos orais ou escritos históricos, sem documentação conclusiva.  Uma curiosidade envolve o militar Gomes Freire de Andrade. Patrono de uma escola no bairro, ele comandou justamente  o exército português durante a ofensiva contra os índios na Guerra Guaranítica.

A posição estratégica entre Canabarro e Teutônia favoreceu a instalação da sede distrital. O terreno da praça distrital foi doado por Augusto Michel, posteriormente homenageado com o nome do espaço. Ao lado, foi construída a subprefeitura do então distrito, prédio que  já abrigou também o Centro Cultural 25 de Julho e desde o ano passado é a Casa de Cultura e Biblioteca Arno Sommer. Ainda, sediou a Prefeitura até a conclusão do Centro Administrativo, no primeiro governo de Elton Klepker. O ex-prefeito teve atuação destacada no desenvolvimento da localidade.

Economia diversificada

No período em que ainda era distrito de Estrela, Languiru apresentou forte diversificação econômica. Além da fundação da Cooperativa Languiru, em 1955, o distrito concentrou diversos empreendimentos comerciais e de serviços, como o abatedouro, alfaiataria, bares, ferragens, padarias, postos de combustíveis, sapatarias e o Hospital do Dr. João Lavrinenco (atual Hospital Ouro Branco).

O complexo conhecido como Casa Velha, que reunia rodoviária, hotel, salão e bar, também marcou a história local. Embora com algumas modificações, o prédio dos anos 1930 segue de pé e é um dos poucos remanescentes do passado. A instalação da Cooperativa impulsionou o crescimento. Por outro lado, a sua chegada contribuiu para o enfraquecimento gradual de pequenos comércios no interior, que não resistiram à forte concorrência.

Um dos momentos mais marcantes ocorreu em 13 de novembro de 1975, quando o então presidente Ernesto Geisel visitou o distrito durante as comemorações dos 20 anos da Cooperativa Languiru. Na ocasião, discursou e  inaugurou o pavilhão localizado em frente ao terminal rodoviário— estrutura que acabou demolida no ano passado para a construção de um centro comercial. Na mesma data, Geisel participou, junto a lideranças locais, de uma confraternização.

Presidente Ernesto Geisel descerra a placa de inauguração do pavilhão da Languiru em 13 de novembro de 1975. Foto: Arquivo /Cooperativa Languiru

Major Bandeira

Principal rua do Bairro Languiru e uma das mais movimentadas de Teutônia, a via é uma homenagem a Rafael Pinto Bandeira (1740-1795). Nascido na então Capitania de Rio Grande de São Pedro, atual Rio Grande do Sul, foi um militar e líder luso-brasileiro que se destacou ao comandar tropas nas disputas territoriais entre Portugal e Fronteira.

Serviu às forças portuguesas em diversos conflitos fronteiriços e foi uma figura central na defesa e consolidação do território que hoje corresponde ao Estado. Ficou especialmente conhecido por sua atuação nas guerras contra os espanhóis e pelos ataques às missões jesuíticas, em um contexto de disputa pela posse dos Sete Povos das Missões.

Além disso, governou a Capitania (1780–1782). Sua atuação se tornou fundamental em uma época que o Tratado de Madri (1750) e o Tratado de Santo Ildefonso (1777) redesenharam as fronteiras da América Latina. Além de ruas e avenidas, Pinto Bandeira nomeia um município na Serra e escolas em diversas regiões.

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