13 de maio de 2026
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4º CAFÉ COM O HOB

Hospital Ouro Branco debate envelhecimento populacional e desafios na saúde

No Dia Internacional da Enfermagem, evento reuniu profissionais, lideranças e comunidade para discutir estrutura, reabilitação e rede de cuidado aos idosos

12/05/2026 | 16:12 Atualização: 12/05/2026 | 16:13
Painel abordou caminhos os serviços de saúde e sociedade em geral lidarem com a inversão da pirâmide etária. Foto: Marcel Lovato
Painel abordou caminhos os serviços de saúde e sociedade em geral lidarem com a inversão da pirâmide etária. Foto: Marcel Lovato

Os impactos do envelhecimento populacional estiveram no centro das discussões do 4º Café com o Hospital Ouro Branco (HOB), realizado nesta terça-feira, 12, Dia Internacional da Enfermagem, no Auditório da Sicredi Ouro Branco RS/MG. Encontro reuniu especialistas do corpo clínico, lideranças e representantes da comunidade para debater os desafios sociais e humanos relacionados à população idosa.

Na abertura, o presidente da Associação Beneficente Ouro Branco (ABOB), Marco Aurélio Weber, destacou a preocupação crescente, especialmente na área de Traumatologia. Segundo ele, chegou o momento de mobilizar a comunidade em torno do tema. Também anunciou uma viagem da direção do hospital à Brasília, onde, no dia 26, defenderão o projeto do Polo de Saúde junto à bancada gaúcha. A futura construção deverá contar com uma ala específica para reabilitação de idosos. O diretor do HOB, Gilson Silveira, apresentou a nova filosofia da gestão 2026-2028, na qual ressaltou que o foco será na regionalização ainda maior das atividades.

Painel

Já a mediação do painel foi conduzida pela enfermeira Taila Anschau, que chamou atenção para a importância da rede de apoio familiar durante a internação e a recuperação do paciente. Coordenador da emergência do hospital, o doutor Fábio Cardoso afirmou que cerca de 30% dos atendimentos diários são para pessoas a partir de 60 anos, enquanto os idosos representam até 70% das internações hospitalares.

Cardoso ressaltou que muitos pacientes possuem múltiplas comorbidades e, frequentemente, sequer sabem informar corretamente quais medicações utilizam. Estes fatores tornam o tratamento ainda mais complexo. Outro ponto enfatizado foi a necessidade de ampliar o cuidado após a alta hospitalar. Segundo ele, a recuperação inadequada pode gerar novos problemas e aumentar os riscos de reinternação, assim como os custos.

Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), o médico Alexsander Bruch destacou o crescimento progressivo da demanda por atendimentos relacionados a fraturas, especialmente no Fêmur. Conforme ele, cerca de 30% dos idosos que sofrem esse tipo de fratura morrem em até um ano.

Bruch afirmou que o Hospital Ouro Branco se tornou referência em Traumatologia, pois tem recebido pacientes inclusive de fora da região. Porém, alertou para a preocupação com a capacidade técnica e estrutural de absorção da crescente demanda.

Já o doutor Rafael Barbosa, que também integra a SBOT, enfatizou a relevância da atuação de equipes multidisciplinares integradas, desde a entrada do paciente até o acompanhamento em diferentes especialidades. Em sua visão, esse entrosamento é uma das principais soluções para enfrentar os desafios impostos pela inversão da pirâmide etária.

Discussão atrasada

Diretor técnico do Hospital, o médico Guilherme Vogt afirmou que a abordagem sobre envelhecimento ainda engatinha, especialmente em âmbito gaúcho. Para ele, os ambientes de formal estão despreparados para atender adequadamente às necessidades da terceira idade.

Vogt destacou que a população idosa teutoniense cresceu 79% em 12 anos. Logo, se faz necessário compreender as expectativas e desejos dos idosos. Ele também apresentou o Projeto 80+, iniciativa voltada ao atendimento prioritário da população idosa, com espaço diferenciado, redução do tempo de espera e melhoria na experiência hospitalar.

O diretor técnico classificou a reabilitação como um dos principais gargalos do sistema de saúde. Entre as propostas apresentadas estão a criação de um cadastro de cuidadores, qualificação contínua dos profissionais, programas de revisão de medicações nas instituições públicas, além da ampliação de programas específicos de reabilitação pós-fratura e pós-cirurgia.Outro ponto debatido foi a necessidade de educação contínua das famílias e da própria sociedade para lidar com processo de envelhecimento.

Sugestões

O debate contou com algumas manifestações da plateia. Geriatra, o Dr. Enrico Neiss defendeu a promoção permanente de campanhas de conscientização e educação em saúde, a fim de reforçar que o idoso precisa ser valorizado e compreendido em suas limitações. Questões como mobilidade urbana, qualidade das calçadas e acessibilidade também foram apontadas como fundamentais para garantir autonomia, dignidade e qualidade de vida aos 60+.

Para o presidente da Associação dos Grupos da Melhor Idade de Teutônia, Otávio Hamester, seria importante a maior participação de profissionais do hospital nas ações da entidade, a fim de orientar os participantes. Já a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Teutônia, Westfália e Poço das Antas (STR), Liane Brackmann, destacou a responsabilidade dos próprios idosos no cuidado com a saúde e alertou para situações como Alzheimer e depressão, bem como a responsabilidade de idosos que cuidam de outros, especialmente no meio rural.

Ao final, os painelistas reforçaram a necessidade de uma atuação conjunta entre hospital, poder público, profissionais e comunidade para construir uma rede de cuidado mais humanizada, eficiente e preparada para acolher e vivenciar o fenômeno social que se apresenta.

Panorama das internações entre 60 e 99 anos (2025) 

Causas principais: Pneumonia, Sepse e Fraturas

Tempo médio: 6 dias

30% das hospitalizações gerais

23% dos atendimentos

Fonte: Hospital Ouro Branco

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