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ILUSTRE CIDADÃO

“Líderes emancipacionistas me convidaram a formar uma bandinha para os comícios”

O quadro Ilustre Cidadão entrevista Airton Guilherme Grave

22/05/2026 | 10:00

O professor, arranjador, regente de corais e maestro Airton Guilherme Grave é natural de Westfália. Nascido em 13 de dezembro de 1953, ele cresceu num ambiente musical, no antigo Salão Dahmer, que além de casa comercial era também salão de baile, acompanhando seu pai, Norberto Grave, com a Banda Maringá. Pai de Michelle e Daniele, do primeiro casamento, e de Iago, do segundo, ele tem muita influência na formação de diversas gerações de músicos nos diferentes municípios onde atuou como professor. Formado e pós-graduado em educação física, foi o responsável pela criação da Banda Municipal de Teutônia – hoje Orquestra de Teutônia –, e também pela Orquestra La Montanara, entre outras. Foi vereador em Teutônia por 16 anos, participou do movimento de emancipação de Westfália. Hoje segue em atividade com seu estúdio, também com a Terceira Idade e com o Musical Maringá, mantendo o legado do pai.

Como surgiu teu contato com a música?

Airton Guilherme Grave – Aos 6 anos eu já me sentava na escada, e tocava pandeiro acompanhando a Banda Maringá. Observava o pessoal tocando trompete, saxofone, tuba e bateria. Em casa eu pegava a gaita do meu pai, mas o instrumento era muito grande. Daí o pai e a mãe me deram uma menor. Meu primeiro professor de gaita foi o Helmuth Trein. Eu ia toda semana de ônibus, de manhã cedo, para Estrela. Depois, fiz o ginasial no Colégio Agrícola Teutônia e nesses anos comecei a aprender também trompete. Eu já tinha meus 11, 12 anos, e comecei, com o tempo, a tocar na Banda Maringá. O Helmuth Ahlert escrevia as músicas para a banda e eu passei a me interessar e estudar o formato de como escrever os arranjos para os instrumentos de sopro.

Chegaste a estudar para outra área?

Grave – Eu queria ser dentista, mas cursei o segundo grau como técnico agrícola. Depois iniciei o curso de educação física em Santa Cruz do Sul e logo comecei a dar aula de educação física no Colégio Teutônia e na Escola de Poço das Antas, onde faltava profissional para a área. Eu saía de manhã cedo, ia até Lajeado de ônibus, pegava uma Kombi para estudar em Santa Cruz do Sul. Voltava por volta do meio-dia e ia direto de Lajeado a Poço das Antas para lecionar. Às vezes, nem almoçava.

Mas não te desligaste da música, certo?

Grave – Não. Eu integrava a Banda Maringá e comecei a escrever músicas para o grupo, mas não fiz faculdade de música. Nesse meio tempo, ainda morando com meus pais, o Coro Justiça, de Linha Schmidt, ficou sem regente. Me convidaram para dirigir o coral, mas eu não tinha nem ideia de como funcionava. Mesmo assim aceitei o convite e iniciei. Comecei a estudar as partituras para corais e hoje já são quase 50 anos regendo o grupo.

Como foi o início do teu envolvimento com a música em Teutônia?

Grave – O Elton Klepker e demais líderes emancipacionistas me convidaram a formar uma bandinha para os comícios. Tocamos em todos, inclusive na carreata da vitória, em cima de um caminhão. Depois veio a campanha para eleger o prefeito e fui convidado a concorrer para vereador. Assumi como suplente e fizemos um trabalho de iniciação musical, compramos instrumentos e criamos a escolinha de música na prefeitura. A Banda Municipal foi se consolidando e, como o município tinha 48 corais em atividade surgiu a ideia de organizar também o Coral Municipal. A escolinha logo se transformou em Centro Cultural 25 de Julho e criamos também um grupo de danças e o conjunto instrumental para acompanhar. Gravamos os primeiros discos com a banda e o coral e fundamos a Liga de Cantores 25 de Julho.

Além de vereador em Teutônia, tentaste a sorte na política em Westfália?

Grave – Sim. Meu tio, o Enio Grave (in memoriam), seria o candidato natural na primeira eleição, mas ele acabou falecendo antes. O partido pediu para eu concorrer. Eu relutei, mas no final acabei aceitando. Não consegui ganhar, mas por um lado isso me favoreceu, porque eu continuei na música. Se eu tivesse vencido na política, provavelmente eu teria que largar 90 por cento daquilo que eu tinha na música, porque eu dava aula em Teutônia, Tupandi, Barão, São Pedro da Serra, Salvador do Sul e Colinas.

Muitos tiveram iniciação musical contigo e também participaram de grupos que criaste?

Grave – Sim. Lá no início, o Astor Dalferth, o maestro da Orquestra de Teutônia, foi um deles. Ele já integrava a Banda Municipal de Teutônia e tocou muito tempo comigo no Maringá. Num baile que animamos em Canoas fomos convidados a integrar a Banda da Aeronáutica. O Astor ainda estava na idade e aceitou. Anos mais tarde, quando ele voltou, designei ele para ser o maestro e eu segui com o coral municipal. Mas teve diversos outros músicos que surgiram através da escolinha de música do município, como o Jonas Rhein, o Gustavo Sieben, o Júlio Sulzbach, a Anelise Hunnecker, o Marlon Gausmann, o Marlon Fiegenbaum, entre outros, que passaram a integrar a Banda Municipal. Depois, formamos a banda Zabadak, com o Arno, Carlo e o Marco Dick, mais eu e o Astor, entre outros. Mais tarde, já com os Staggemeier (Ismael, Samuel, Elias) e com o Fernando Wiethölter, iniciamos o grupo Airton e Banda, que, um tempo depois, batizamos de La Montanara, que é uma das bandas de baile de maior sucesso hoje.

Qual é a sensação de ter contribuído e seguir contribuindo através da música?

Grave – Nunca me senti supervalorizado, mas sempre me senti útil, porque gosto da música. Sempre tive o incentivo da comunidade e pude ensinar novos músicos. Entendo que o músico precisa ter três coisas: o dom, o interesse e, o principal, a persistência. O sentimento que tenho é de orgulho, mas não um orgulho egoísta, e sim de muita satisfação.

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