A investigação sobre a crise financeira que levou a Languiru a um endividamento de mais de R$ 1,117 bilhão avança. Desde a semana passada estão sendo convocadas a depor, no Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) – órgão do Ministério Público Estadual –, em Santa Cruz do Sul, as primeiras pessoas ligadas à instituição na gestão anterior a maio de 2023, quando o atual presidente liquidante, Paulo Birck, assumiu a cooperativa.
“Ninguém imaginava que a situação era tão grave e tão delicada. A Cooperativa Languiru sempre era tida como um exemplo. Quando percebemos o colapso financeiro, tínhamos que dar uma resposta aos associados”, aponta Birck. Ele lembra que o relatório da auditoria interna foi entregue ao Conselho Fiscal em outubro de 2024 e este órgão ouviu associados citados no documento, para então produzir sua própria análise, que foi entregue posteriormente ao Ministério Público.
“A Gaeco tem o poder de convocar e até eventualmente realizar a quebra de sigilos bancário e telefônico de determinadas pessoas, se considerar necessário. O importante é que a investigação está andando, as primeiras intimações estão acontecendo e certamente outras ocorrerão nos próximos dias”, sinaliza o presidente liquidante, reforçando a importância de manter o sigilo dos nomes, para não causar uma interpretação equivocada.
Números
A dívida de mais de R$ 1,187 bilhão, em maio de 2023, estava distribuída entre 2.916 credores. Agora, no terceiro ano da liquidação extrajudicial, já foi negociado com 1.450 credores, o que representa pouco mais de 50% do total. “Em valores, 53% da dívida, cerca de R$ 600 milhões, já foram negociados, com 45% desse total (R$ 280 milhões) integralmente pagos.” A meta, de acordo com Birck, é negociar os demais R$ 500 milhões com 47% dos credores que ainda não aderiram. Ele reforça também que a cooperativa está pagando credores que têm menos de R$ 4 mil a receber e quem desta faixa aderir à negociação recebe em no máximo 30 dias.
Frigorífico de Suínos
O presidente liquidante garante que a cooperativa busca uma solução, junto ao Badesul e ao Fundopem, que detém as garantias de R$ 50 milhões, para negociar o Frigorífico de Suínos localizado em Poço das Antas. Em junho, a unidade completa 3 anos de inatividade. “A dificuldade é grande para comercializar uma planta de valor tão alto, ainda mais que o cenário da suinocultura não é favorável no momento. Porém, se vendermos, além de acertarmos com o Badesul e o Fundopem, vamos utilizar o restante para pagar outros credores.
Situação atual
A cooperativa registra faturamento mensal de mais de R$ 50 milhões em suas operações de leite, aves e grãos. Os pagamentos dos produtores, funcionários e fornecedores estão em dia e a Languiru está contratando aproximadamente 50 pessoas para suas operações.
“Estamos num outro momento e o faturamento vem crescendo mensalmente. Temos ativos grandes, como a Fábrica de Rações, que opera com capacidade total, o Frigorífico de Aves de Westfália, a Laticínios, no Bairro Teutônia, a quadra do Supermercado Passarela, que está alugada, diversas áreas de terras e terrenos. Comercializamos recentemente a UPL Mundo Novo, em Linha Germano, e o matrizeiro em Linha Harmonia, ambos acima dos valores que estavam avaliados, porque não víamos viabilidade em mantê-los”, explica.
A diretoria elaborou uma projeção e considera que em 2035, se não houver percalços econômicos no setor primário, mesmo sem a venda do Frigorífico de Suínos, a dívida estará paga. Caso o ativo seja comercializado, este tempo pode reduzir em dois ou três anos.