A professora de alemão Cirlei Jasper é natural de Linha Berlim, Westfália, na época pertencente a Estrela. Tem 63 anos, é casada com Rudimar Jasper, mãe de Bianca e Bernardo e avó de Sara, de apenas 11 meses. Possui formação de Magistério no Ensino Médio do Colégio Martin Luther, em Estrela. Além disso, tem formação em Estudos Adicionais de Pré-Escola, pela Univates. No Ensino Superior, é formada em Pedagogia – Orientação Educacional, pela Ulbra. Além disso, possui Certificado de Alemão pelo Instituto Goethe e pós-graduação em Gestão Escolar pela UFRGS. Celebra, em 2026, 44 dedicados ao Colégio Teutônia, onde segue atuando com ensino de Língua Alemã para o 3º, o 4º e o 5º ano e é carinhosamente chamada de “Frau Jasper”. São cerca de 21 mil alunos que já estudaram com ela ao longo da trajetória. Com grande destaque no voluntariado, desde fevereiro deste ano é a presidente da Liga Feminina de Combate ao Câncer de Teutônia, além de ser coordenadora da Oase da Paróquia Teutônia Norte e cantora no Coral Partilhar.
Como surgiu em ti o interesse em ser professora?
Cirlei Jasper – Quando concluí o Ensino Fundamental não tínhamos muitas escolhas no Ensino Médio. Havia o Curso Técnico Agrícola, Auxiliar de Escritório e Magistério. O interesse em fazer Magistério sempre foi um sonho. É uma profissão que exige conhecimento, dedicação, paciência e sensibilidade. É descobrir o encanto de ensinar, a satisfação de ver alguém aprender e a alegria de perceber que podemos fazer a diferença na vida dos estudantes. Ser professor é ensinar, mas também aprender diariamente, é compartilhar saberes, valores e ajudar cada aluno a encontrar seu próprio caminho.
Em quais escolas já lecionaste?
Frau Jasper – No Colégio Teutônia, onde sigo atuando hoje, nos Anos Iniciais, com Educação Infantil e na Educação de Jovens e Adultos (EJA); na Escola Estadual Tancredo de Almeida Neves, trabalhei com Educação Infantil e por 5 anos estive na função de vice-diretora; na Escola Estadual Gomes Freire de Andrade, lecionei Filosofia, Sociologia e Ensino Religioso, no turno da noite, por 4 anos); na Wizard Idiomas, fui professora de Língua Alemã por 5 anos; realizei estágios de Orientação Educacional nas EMEF Leopoldo Klepker e no CNEC/Ieceg.
Na tua visão, qual é a verdadeira missão do professor?
Frau Jasper – A missão do professor vai além de transmitir conteúdo. Ele ajuda a formar pessoas, incentivar sonhos, despertar curiosidades, preparar crianças e jovens para a vida. Cada estudante tem a sua história, seu ritmo, suas dificuldades. Cabe ao professor reconhecer essas diferenças, acolher e oferecer oportunidades para que todos possam crescer. O professor tem a responsabilidade de nunca deixar de aprender, de acreditar nas pessoas e de manter viva a esperança na educação.
Qual o sentimento que tens com o reconhecimento dos ex-alunos?
Frau Jasper – É um sentimento de gratidão, carinho e a certeza de que fui importante para ele. O tempo pode apagar muitos conteúdos da memória, mas dificilmente apaga a lembrança de alguém que fez da sala de aula um lugar onde todos tinham valor. Penso que para ele a escola também foi um espaço prazeroso onde aprendeu, conviveu, construiu amizades e experiências.
Desde quando atuas na Liga Feminina de Combate ao Câncer e qual a importância dela?
Frau Jasper – Comecei como voluntária em 2021. Na diretoria exerci o cargo de secretária e vice-presidente. Desde fevereiro de 2026, estou na função de presidente. A Liga representa uma rede de solidariedade, cuidado, amor ao próximo e compromisso com a vida. Acredito que contribuímos para a construção de uma cidade mais humana. O principal objetivo é acolher, orientar e apoiar pessoas que enfrentam o câncer, oferecendo auxílio para que possam passar pelo tratamento com mais dignidade, esperança e qualidade de vida. Muitas vezes, aquilo que uma pessoa mais precisa é a certeza de que exista alguém ao seu lado, disposto a estender a mão e caminhar junto. Cada ação realizada, evento promovido e cada parceria conquistada carrega uma intenção muito maior do que simplesmente arrecadar recursos. Carrega o desejo de ajudar alguém que está enfrentando um dos momentos mais delicados de sua vida.
Como vocês se sentem quando recebem o agradecimento de um paciente, ou da família?
Frau Jasper – Quando um paciente ou familiar chega para agradecer após o tratamento, ele não está apenas agradecendo pela ajuda recebida, está reconhecendo que, em um momento de fragilidade encontrou pessoas que não o deixaram caminhar sozinho. Não há reconhecimento mais valioso do que saber que fomos importantes na caminhada de alguém. Solidariedade não é apenas aquilo que fazemos, mas aquilo que conseguimos despertar no coração de quem recebe. O sorriso e a gratidão de quem recebeu ajuda alimentam nossa vontade de continuar. De que cada gesto teve valor e de que a dedicação coletiva chegou ao nosso verdadeiro propósito que é “cuidar de pessoas”. Talvez o paciente não saiba, mas quando chega até nós para agradecer, também nos oferece um presente. Ele nos mostra que nosso trabalho tem sentido. Somos nós que sentimos gratidão pela oportunidade de ajudar. O agradecimento de um paciente é um abraço na alma de cada uma de nós. A Liga é feita de voluntárias, mas sua força vem de toda comunidade que acredita na solidariedade e compreende a importância de cuidar de quem precisa. Quando uma comunidade abraça uma causa, a esperança se multiplica e muitas vidas podem ser alcançadas. Agradeço a todos por acreditarem em nosso trabalho.