O modesto cidadão rural-urbano, gerado e criado na perpassada vida rural, assimilou, desde cedo, as habituais noções da austeridade germânica.
Os inúmeros relatos familiares, baseados na tradição oral, falavam das fomes e guerras da velha Europa, vivenciadas por gerações de ancestrais. As histórias sobre misérias na colonização, vivenciadas pelos tataravós e trisavós, narravam fatos acerca da instalação literal na cerrada e perigosa selva subtropical da América Meridional.
As carências financeiras e a escassez de artigos na penosa e sofrida infância também incutiram acirrados preceitos básicos de economia no vivente. O singelo hábito de fazer muito com os poucos recursos disponíveis tornou-se uma regra de vida.
Os acentuados desperdícios, tão comuns na sociedade de consumo, ganharam limitada expressão na vida pessoal. Qualquer metal – de arame, parafuso ou prego estirado ou perdido a ermo – era ajuntado e usado para uma eventual necessidade material. Os dispersos artefatos, como frequentes fura-câmaras e pneus, verificavam-se recolhidos como precaução a acidentes e potencial uso nas emergências. As centenas de plásticos, angariados nas compras em lojas e supermercados, ganhavam guarda e serventia no reaproveitamento caseiro. Os volumes de cascas e de lixos orgânicos, como sobras no preparo das refeições, ostentavam-se reaproveitados para formar adubos ou trato para os animais domésticos. As fartas refeições, no seio das variedades de comidas, atendiam estritamente às quantidades consumidas.
Os banais hábitos, com o passar dos meses, somavam admiráveis valores nas finanças. O princípio básico da educação financeira consistiu em viver bem sem maiores desperdícios de recursos. A habitual disciplina e a tradicional teimosia, na sucessão do tempo, resultaram em prodígios em termos de bonança material. Quaisquer desperdícios, no dissimulado, representavam uma afronta aos miseráveis e necessitados do planeta.
A realidade transcreve: guardar hoje para ostentar amanhã advém numa filosofia e sabedoria de vida. Inúmeros entes, para terem se tornado abonados e sortudos, tiveram a virtude de terem hábitos que dão asas à sorte.
Com uma filosofia modesta e simples de existência, precisamos, na verdade, de muito pouco para viver alegre, feliz e realizado.