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ILUSTRE CIDADÃO

“A geriatria busca a manutenção da autonomia do idoso”

O quadro Ilustre Cidadão entrevista Enrico Neiss

24/04/2026 | 14:26
Enrico Neiss
Enrico Neiss

O médico Enrico Neiss é natural de São Sebastião do Caí e tem 49 anos. Iniciou a faculdade de engenharia química, mas após um ano e meio migrou para a medicina, graduando-se na UFRGS, em 2004. É médico de família e comunidade pela Sociedade Brasileira de Medicina de Família, com especialização, desde 2009, no Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUC-RS, que segue sendo referência para a área na América Latina. Mora e atua em Teutônia desde 2004, portanto há 22 anos.

Por que optaste pela área da medicina?

Dr. Enrico Neiss Fui para medicina porque eu tinha, e tenho até hoje, uma visão do cuidado, que é natural para quem está na área da saúde. Gostava também de obstetrícia, mas fui para a medicina de família em razão do cuidado mais integral, com olhar mais holístico e total da pessoa. Esse cuidado me acompanha desde que eu entrei na faculdade de medicina, em 1998. Fiz os seis anos, me formei em julho de 2004 e em 11 agosto do mesmo ano iniciei no meu primeiro emprego, aqui em Teutônia, no Centro Avançado de Saúde, então recém-inaugurado, no Bairro Canabarro. Por muitos anos, trabalhei na saúde mental.

Desde lá, nunca saíste de Teutônia? 

Dr. Enrico Entre 2006 e 2007, fui para Balneário Camboriú (SC) porque eu tinha o desejo de ver como é morar na praia. Escolhi retornar porque fui muito bem recebido em Teutônia. Quando cheguei, a cidade ainda tinha aquela cara de interior, que hoje ainda se mantém. É uma cidade encantadora, organizada e ordeira, com uma população bastante trabalhadora, que quer crescer. Isso fez com que eu fincasse as minhas raízes aqui. Fiz concurso público e estou atuando como médico clínico geral da prefeitura, além do atendimento em dois consultórios – nos bairros Languiru e Canabarro – e  em lares de idosos em Paverama e Fazenda Vilanova. 

Quais os principais desafios de atuar na geriatria?

Dr. Enrico Aqui em Teutônia um grande desafio é a língua, pois os mais idosos falam alemão – o que é uma característica do município – e eu não falo tão bem. Normalmente tem os tradutores, que são os filhos ou acompanhantes que vêm junto nas consultas. O próprio aumento da população idosa representa um desafio muito grande, pois ainda não temos um número suficiente de pessoas com capacitação para atender essa faixa em todas as suas necessidades. Convencer um idoso de que ele precisa ir para uma academia é algo muito complicado. A geriatria está cada vez mais em expansão e é necessário o cuidado com o idoso, o olhar especializado. Gosto da geriatria porque é um espaço onde tu podes ter um diálogo melhor. O paciente idoso é aquele que gosta muito de conversar, de ser escutado, e é muito gratificante quando consigo ter essa troca, esse olhar mais atento à pessoa que precisa.

Qual é o melhor exercício físico para o idoso?

Dr. Enrico O mais importante de todos é a musculação, por ser um exercício resistivo, de repetição e fortalecimento. Muitas vezes, quando falo isso para algum idoso ele já diz que trabalha na roça. A gente não desconsidera esse trabalho, mas é importante tu ter um exercício assistido, com a força e com o número de repetições adequadas, para que a pessoa ganhe força, pois uma das coisas que a gente mais vê no idoso é a perda muscular com o próprio envelhecimento, acarretando fraqueza e perda da autonomia. Hoje, a geriatria busca pela manutenção da autonomia do idoso, para que ele possa se manter independente o maior tempo possível, fazendo as coisas que mais gosta. Quanto menos auxílio ele precisar, maior é o nosso sucesso.

É correto dizer que hoje as pessoas adoecem mais porque ficam mais velhas?

Dr. Enrico Sim. As pessoas às vezes questionam que antigamente não se via tanto a demência, ou o Alzheimer, que são doenças neurodegenerativas, assim como o próprio Parkinson. Isso é porque as pessoas não viviam tanto. Hoje nós temos pacientes com 90 e até com 100 anos. Então, é claro, nesse meio nós vamos ver o surgimento de mais doenças que as pessoas não chegavam a ter antigamente. 

Existe algo que podemos fazer para tentar evitar problemas relacionados à demência?

Dr. Enrico Sim. Uma das coisas que previne demência é a vida social ativa. Coisas que não se falavam antes, como participar de atividades coletivas, seja grupos de idosos, encontros de Oase, da igreja, clubes de mães, rodas de chimarrão, grupo de carteado ou de bocha. Hoje, para te um envelhecimento saudável como um todo, devemos levar em conta a vida em família, a vida em comunidade, o casamento, as relações interpessoais, a atividade física, o sono de qualidade. O cuidado em saúde vai muito além de uma simples prescrição de medicamento.

Qual o teu sentimento em poder ajudar as pessoas?

Dr. Enrico Eu fico muito feliz quando a gente tem bons resultados, quando o cuidado se vê na prática: por exemplo, uma pessoa que estava com dificuldade de caminhar, com questões de memória ou de fraqueza. Saber que a orientação trouxe mais independência, mais autonomia ao paciente, é algo muito importante. Chamamos isso de envelhecimento bem-sucedido. Nossa função é trazer qualidade de vida a quem está envelhecendo.

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