A busca pelo conhecimento no agronegócio é necessária e estratégica, deixando de ser apenas um diferencial para se tornar um requisito fundamental para a sobrevivência e crescimento da propriedade. Com a rápida evolução tecnológica e a complexidade dos mercados globais, a qualificação do produtor é chave para aumentar a produtividade, garantir a sustentabilidade e otimizar a tomada de decisão.
A profissionalização da gestão rural passa necessariamente pela qualificação dos agricultores. A atividade, que no passado desconsiderava a importância do estudo e qualificação para poder atuar, valendo-se apenas do que era passado de pai para filho, hoje exige conhecimentos técnicos específicos de toda a cadeia agropecuária, além de uma visão sistêmica envolvendo também as relações comerciais.
O domínio de técnicas avançadas na agricultura permite produzir mais em menos espaço, otimizando o uso de recursos. A agricultura de precisão, a utilização de drones, de sensores e de avaliação permanente, exige capacitação técnica para interpretar dados e aplicar insumos com exatidão. Conhecimentos em biotecnologia e melhoramento genético são fundamentais para desenvolver culturas mais resistentes e produtivas.
A complexidade das propriedades rurais exige visão administrativa. O produtor precisa entender de mercado, custos de produção e logística para garantir a rentabilidade; e tomar decisões baseadas em evidências, reduzindo desperdícios e erros operacionais que custam caro ao setor. Técnicas como o plantio direto, por exemplo, e a integração lavoura-pecuária-floresta dependem de conhecimento técnico para funcionar corretamente.
Mesmo que tenha consultorias de vendas e assessoria técnica permanente oferecida pelas empresas integradoras, além da assistência técnica e extensão rural da Emater, o produtor precisa se apropriar de todos os conhecimentos possíveis para melhor fazer a gestão da sua propriedade. Da porteira para dentro, precisa ser o gestor e responsável por todas as decisões estratégicas.

Da informação ao conhecimento
Vivemos em um período com muito acesso à informação, possibilitado principalmente pelos meios de comunicação digitais. Mas, informação não representa aquisição de conhecimento. Por isso, o produtor precisa buscar conhecimento do agronegócio através de capacitações técnicas oficiais, como cursos técnicos, compartilhamento de experiências em “dias de campo”, cursos oferecidos por entidades como Emater, Senar, Embrapa e instituições de ensino ligadas ao setor. Eventos e feiras normalmente apresentam novas tecnologias de produtos e de produção focados em inovação e importantes para os desafios do setor.
Como exemplo, temos na região do Vale do Taquari, em Teutônia, o Colégio Teutônia, conhecido também no meio rural como “Colégio Agrícola Teutônia”. A escola oferece o curso Técnico em Agropecuária há mais de 50 anos, tendo já formado mais de 1.400 profissionais, que atuam em propriedades na região e em todo o Rio Grande do Sul.

O campo exige estudo
O agricultor, assim como qualquer outro profissional, precisa estudar, pois o campo deixou de ser apenas uma questão de herança e esforço físico para se tornar uma operação tecnológica com o necessário resultado operacional satisfatório.

RÁPIDAS
• Plantio Direto é uma técnica de cultivo que revolucionou a agricultura, sendo considerada uma das formas mais eficazes de preservar o solo. Diferente do método tradicional, onde a terra é arada e gradeada (revirada), no plantio direto o solo não é mexido.
• Integração lavoura-pecuária-floresta – estratégia de produção que combina diferentes sistemas (agrícola, pecuário e florestal) em uma mesma área, de forma planejada e em sucessão ou rotação.
• Rotação de culturas é uma técnica agrícola que consiste em alternar, de forma planejada, diferentes espécies de plantas em uma mesma área e em épocas diferentes. Diferente da monocultura (plantar sempre a mesma coisa), a rotação busca equilibrar o solo; para funcionar bem, as plantas escolhidas devem ter necessidades nutricionais e sistemas de raízes diferentes.
