A agricultura familiar e a produção em larga escala se estabelecem pelo seu propósito e na gestão da propriedade, considerando aspectos como tamanho da área, instalações, tecnologia e potencial de investimento. Enquanto a agricultura familiar é a espinha dorsal da segurança alimentar brasileira, a produção em larga escala é o motor das exportações e da balança comercial.
Estabelecida por famílias e com mão de obra predominantemente ligada aos laços de parentesco, a agricultura familiar foca na diversidade de cultivos. Segundo dados do Censo Agropecuário do IBGE, cerca de 70% dos alimentos consumidos no Brasil, como feijão, mandioca e hortaliças, vêm de pequenas propriedades. Ela ocupa menos de 25% da área agrícola, mas é responsável pela maioria dos empregos no campo, promovendo o desenvolvimento local e a preservação de biomas através de práticas menos agressivas.
Já a produção em larga escala, focada em grandes latifúndios, opera sob lógica de commodities (produtos padronizados para o mercado global). Culturas como soja, milho, cana-de-açúcar e algodão dominam esse setor, que utiliza alta tecnologia, biotecnologia e agricultura de precisão para maximizar o rendimento por hectare. Esse modelo é vital para a economia nacional, gerando divisas e posicionando o Brasil como um dos maiores exportadores do mundo, como detalhado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Embora pareçam opostas, ambas coexistem no território brasileiro. O desafio atual é garantir que a agricultura familiar consiga manter e aumentar sua produtividade, mantendo-se economicamente sustentável, possibilitando a sucessão familiar, enquanto a produção em larga escala busca reduzir seus impactos ambientais para atender às exigências de mercados internacionais cada vez mais rígidos.
Pode até parecer contraditório relacionar agricultura familiar com produção em larga escala, mas é uma realidade alcançada e muito aplicada através da organização coletiva. Sozinho, o pequeno produtor tem escala reduzida, não conseguindo competir; unido, ele compete com o grande agronegócio. Mas, como então ele consegue atuar coletivamente? Através do cooperativismo.

Coexistir é fundamental
No Brasil sustentável, a agricultura familiar e a produção em grande escala em grandes propriedades rurais precisam coexistir. Ambas têm papel econômico e social de grande relevância, sendo fundamentais na vida de todos os brasileiros.
O Poder Público precisa estar muito atento a esses dois modelos de produção, promovendo e implementando programas e políticas públicas para que o setor seja sustentável.
A cooperação como modelo de gestão para aumentar escala de produção tornando a agricultura familiar mais competitiva
De forma associada, o pequeno produtor deixa de vender apenas a matéria-prima e passa a ter a sua própria agroindústria, transformando produtos como leite, carnes e frutas em produtos com mais valor agregado, comercializados diretamente com o consumidor final. Também tem a possibilidade de aumentar o seu poder de negociação, pois compras coletivas reduzem custos com insumos como sementes e fertilizantes.
Através de cooperativas, o produtor poderá alcançar mercados consumidores que exigem grandes volumes com regularidade, atendendo contratos gigantescos, redes de supermercados, exportação; cenários que um produtor isolado certamente não poderá suprir. Além do acesso à tecnologia e à assistência técnica, o conhecimento é muito mais compartilhado em ambientes cooperativos.

RÁPIDAS
A produção cooperativa familiar em escala no Brasil, segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) é responsável por:
• 55% da produção nacional de café; 50% da produção de trigo e milho; 46% da produção de leite.
No RS, o cooperativismo é a força motriz, sendo responsável por quase metade do PIB agropecuário, diferente do centro-oeste, onde predominam as grandes fazendas individuais. Alguns exemplos:
• Cotrijal de Não-Me-Toque, maior cooperativa em faturamento do RS, líder na produção de grãos.
• A CCGL – Cooperativa Central Gaúcha Ltda, de Cruz Alta, exemplo de escala na pecuária de leite do estado, que reúne cerca de 30 cooperativas singulares, incluindo as do Vale do Taquari.
• Cooperativa Vinícola Aurora, de Bento Gonçalves, líder absoluta no mercado brasileiro de vinhos e sucos de uva, que reúne mais de 1.100 famílias de viticultores, que produzem em uma escala que permite exportar para mais de 20 países.
• No Vale do Taquari, vale destacar as cooperativas Cooperagri (Estrela), Dália (Encantado) e Languiru (Teutônia), como referências em escala de proteína animal, assistência técnica e recebimento de grãos.
