A garantia da qualidade e da disponibilidade de água potável depende da preservação do lençol freático. Com esse entendimento, a Associação Pró-Desenvolvimento de Languiru (APDL) solicita a atenção da população de Teutônia quanto aos cuidados necessários para a implantação e manutenção de poços artesianos.
Entre os diversos agentes e fatores que colocam em risco a água no subsolo, estão os poços clandestinos, que muitas vezes não seguem os padrões corretos de isolamento e revestimento. Sem esses cuidados, os poços acabam virando pontos de infiltração e contaminação das águas subterrâneas.
Gerente do Departamento de Manutenção da APDL, Éder Furlanetto, orienta que, no momento de contratar uma empresa para executar a perfuração de poços, é preciso se certificar que serão adotados os devidos cuidados em relação à proteção do lençol freático. “Muitas vezes, poços para consumo animal, ou mesmo consumo humano, são feitos sem essa responsabilidade”, lamenta.
Entre as principais normas legais a serem respeitadas, Furlanetto menciona o revestimento adequado, que evita desmoronamentos e a entrada de contaminantes; o chamado “selo sanitário” nos primeiros metros do poço, com calda de cimento ou argamassa, para impedir a infiltração de águas superficiais; e a concretagem do espaço anular, que fixa o revestimento e reforça a vedação. Análise geológica prévia e manutenção regular também são importantes para assegurar a integridade do poço e a qualidade da água captada.
A perfuração de poços artesianos ainda exige regularização junto aos órgãos competentes, com o cumprimento de etapas legais específicas. O processo envolve a análise do terreno e a elaboração de um projeto técnico, seguidos pela obtenção da licença de perfuração. Após a instalação da bomba e a conclusão das obras, é necessária a outorga de uso, que autoriza a captação de água subterrânea.
Furlanetto alerta ainda para os cuidados relativos aos poços antigos e desativados, que devem ser lacrados e concretados. Esse processo deve também seguir normas legais e ser comunicado aos órgãos competentes.

Perfurações precisam obedecer padrões corretos de isolamento e revestimento | Foto: Alexandre Miorim
Contaminação
A ação da água da chuva é um dos principais vetores de contaminação. Ao escoar pela superfície, ela carrega resíduos como agrotóxicos, estercos, esgoto e outros poluentes. Quando esses agentes entram em contato com poços artesianos mal revestidos, podem infiltrar-se no subsolo e alcançar o lençol freático, comprometendo a qualidade da água.
Entre os principais agentes de contaminação, destacam-se o descarte inadequado de pilhas, baterias, lixo, a má gestão de aterros sanitários, o uso excessivo de agrotóxicos, o acúmulo de estercos e a ausência de sistemas adequados para o tratamento de esgoto, como as fossas negras. Nas águas superficiais, o descarte de materiais poluentes também gera risco de contaminação das reservas subterrâneas.
Consciência ambiental
Em todo o planeta, a preservação do lençol freático tornou-se uma urgência em meio ao avanço da urbanização e das práticas agrícolas intensivas. A contaminação dessas fontes compromete não apenas a qualidade da água potável, mas também a saúde pública e o equilíbrio dos ecossistemas.
Diante desse cenário, a APDL reforça a importância da colaboração de toda a comunidade. O cuidado com a construção e a manutenção adequada de poços artesianos, o descarte correto de resíduos e a adoção de práticas sustentáveis são passos fundamentais para assegurar a disponibilidade de água potável para as futuras gerações.