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ILUSTRE CIDADÃO

“Aquilo que a gente faz para Deus é muito gratificante, independente da religião, isso nunca acaba”

O quadro Ilustre Cidadão entrevista Evídeo Antônio Eidelwein

Por: Marco Mallmann

16/01/2026 | 10:47

O técnico em contabilidade Evídio Antônio Eidelwein tem 68 anos. Natural de Estrela, veio residir em Teutônia em 1986. Desde 1994, tem atuação destacada como voluntário na comunidade católica da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, do Bairro Canabarro, onde atuou como vice-coordenador, coordenador, na contabilidade e na parte social. Integrante de diferentes pastorais, foi um dos líderes da construção dos necrotérios católico e municipal, da conclusão da Igreja Matriz e do ginásio de esportes. Além disso, fomentou a construção dos templos das comunidades Santos Mártires, do Bairro Alesgut, Imaculado Coração de Maria, na Vila Popular, e Nossa Senhora das Graças, no Loteamento 8, ambas no Bairro Canabarro.

Sua ligação com a Igreja Católica vem de muito tempo?

Evídeo Antônio Eidelwein – Com 14 anos, fui estudar, em regime de internato, no Convento São Boaventura, em Daltro Filho, que na época pertencia a Garibaldi (hoje Imigrante). Sou devoto de São Francisco de Assis, o primeiro homem que fez voto de pobreza e vivia em função do cuidado e do respeito com a natureza e foi designado por Deus a renovar a igreja. Meu sonho era cursar o 2º Grau (Ensino Médio) e a teologia em Roma, para me tornar um frade. Mas adoeci antes de me alistar, refleti ao longo de um ano e decidi seguir outro caminho.

Como foi sua atuação no serviço público?

Eidelwein – Fui contratado como CC na prefeitura de Teutônia entre 2001 e 2004. Eu auxiliava as entidades a se organizar, conhecia todas as questões relacionadas à legislação previdenciária. Conseguimos regularizar todos os bens móveis e imóveis das comunidades perante a Receita Federal, inclusive o Centro Administrativo do município. Junto com isso, permaneci como administrador na paróquia. Retornei à administração municipal em 2007, atuei como coordenador de Assistência Social e como secretário de Saúde durante um ano.

Como surgiu a ideia de criar novas comunidades católicas, além da Matriz, no município?

Eidelwein – Em 2001, organizamos as Missões, que são semanas com pregações especiais. Chegamos à conclusão de que deveríamos oferecer mais igrejas, mais templos próximos às pessoas. Adquirimos um terreno na Vila Popular e fomos pagando, ao longo de mais de um ano, em prestações, através da organização de festas e promoções. Concluímos a igreja e, em paralelo, fomos ao Loteamento 8, onde eu mesmo assinei três promissórias para pagamento do terreno. Conseguimos pagar em três meses, também com a realização de promoções. Também me envolvi para encontrar um terreno no Bairro Alesgut para construção do templo. Legalizei toda a parte administrativa para enviar à Mitra da Diocese, em Porto Alegre, – à qual pertencíamos na época – para aprovação. Eu ia uma vez por mês para prestar contas na Mitra de toda a contabilidade das capelas e da paróquia.

Qual sua atividade hoje na paróquia?

Eidelwein – Sigo atuando como colaborador, de forma discreta, nas questões relativas à contabilidade. Estou fazendo parte da equipe de revitalização da Igreja Matriz. Implantamos o Plano de Proteção e Prevenção contra Incêndios (PPCI), no qual fomos a entidade pioneira, servindo de exemplo para as demais comunidades. Já realizamos a reforma do telhado. Vamos construir o que o prédio ainda não tem, para fazer com fique cada vez mais caracterizado como uma igreja. Mas, para isso, necessitamos do esforço de toda a comunidade. É um projeto para 10 anos.

Qual é a sensação de seguir atuando de forma voluntária na comunidade?

Eidelwein – Além do trabalho profissional, são quase 40 anos dedicados à comunidade. Aquilo que a gente faz para Deus é muito gratificante, independente da religião, isso nunca acaba. Posso ter meus bens particulares, mas o que eu fiz pelas igrejas está lá. Eu vou deixar de existir, mas as igrejas irão continuar. Quando vejo as pessoas gostando de ir para a igreja, as crianças frequentando a catequese, fazendo a comunhão, a crisma e até casando mais tarde, dando continuidade a isso que os antepassados trouxeram, vejo que é a fé que move, ela que faz acontecer. Me sinto muito realizado. Quando fiquei doente, passei por um momento de reflexão profunda e a minha fé até aumentou. Sei aceitar o sofrimento e entendo que ele vai servir para a alma. O bem que a gente faz se perpetua. As lágrimas secam, mas a oração permanece.

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