As famílias de colonizadores teutos, após demarcadas e compradas as propriedades, migraram aos seus respectivos lotes. As possíveis áreas aráveis visualizadas no interior da mata conheceram, então, a consecutiva derrubada da floresta subtropical (na “Colônia Particular de Teutônia/RS”).
Uma faina insana, à base de ferramentas manuais – como facões, foices, machados, serras, serrotes manuais, entre outros –, foi executada por calejadas mãos ao longo de décadas e gerações. O fim maior, no exercício da agricultura, foi a conquista de sucessivos solos cultiváveis.
A peleia inicial no acesso às propriedades, junto à clareira, à picada ou à trilha recém-aberta, começou com a árdua e perigosa tarefa do corte da vegetação, em meio a frequentes acidentes e inúmeros percalços de trabalho. As plantas ralas, como arvoredos, cipoais e folhagens, eram decepadas pela ação dos facões, foices e machados. Já os volumosos troncos, a exemplo das espécies de açoita-cavalo, angico, batinga, cabreúva, canjerana, cedro, timbaúva, eram cortados com serras manuais, paulatinamente, através de dias, semanas ou meses.
A vegetação decepada, após ser ressequida, conhecia então a colocação do fogo. A queimação geral, com suas amplas labaredas, permitia a quase completa eliminação dos amontoados de vegetais, gerando um visual de terreno calcinado, pronto para a posterior roça. Os amplos roçados, pipocados nas picadas e linhas, encontravam-se formados com o fim de receber as primeiras sementes de abóbora, amendoim, arroz, batata-doce, cevada, mandioca, milho e feijão preto.
A conquista dos solos na sucessão do tempo continuava com a persistente inclusão de novos terrenos férteis. As essenciais edificações, paralelas à derrubada da floresta, ganhavam espaço com a construção de cercados, currais, paióis e residências. As inúmeras famílias, no geral com enormes proles, iam constituindo assim o seu novo lar.
As entidades comunitárias, ainda deveras incipientes, iniciaram a partir das necessidades básicas de um cemitério, escola particular, entidade religiosa ou sociedade recreativa. A diversificação de ofícios exercidos nos fundos das instalações ocorreu na proporção do aumento populacional.
As terras aráveis, conquistadas na força do braço, acabaram por se tornar um legado e patrimônio dos clãs. Segundo a sabedoria popular, o maior patrimônio material na criação e plantação do produtor rural advém da fertilidade das suas terras.