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Desenvolvimento urbano

Com alta de 19% nos alvarás, construção civil ganha força em Teutônia

Inserido no contexto de retomada regional, município atrai investimentos do setor privado em diferentes pontos. Ao mesmo tempo, projeta expansão sustentável

Por: Marcel Lovato

31/01/2026 | 08:00
Aos poucos, prédios, como no Bairro Languiru, começam a fazer parte da paisagem de Teutônia e colocam a cidade no mapa da verticalização. Fotos: Marco Mallmann
Aos poucos, prédios, como no Bairro Languiru, começam a fazer parte da paisagem de Teutônia e colocam a cidade no mapa da verticalização. Fotos: Marco Mallmann

A construção civil no Vale do Taquari se consolida como um dos principais vetores de recuperação e desenvolvimento econômico, seja por obras de reconstrução quanto pela expansão urbana. Essa intensidade é visível em diversos municípios, caracterizada, especialmente, pela verticalização. Aos poucos, Teutônia também desponta para esse movimento. Hoje, ao menos uma dezena de prédios comerciais e/ou residenciais, de portes distintos, está em obras na zona urbana.

Tal cenário se reforça a partir de dados fornecidos pela Secretaria de Planejamento, Mobilidade Urbana e Segurança Pública. Segundo a pasta, foram 641 alvarás de construção emitidos no ano passado, um aumento de 19% em relação ao ano anterior, quando o total chegou a 539.

Em destaque, o Bairro Canabarro, que concentra 262 documentos. Na sequência, os Bairros Teutônia e Centro Administrativo, com 112 e 107, respectivamente. O Bairro Alesgut, por sua vez, registrou 76, mais que o Languiru (54). Esse fator corrobora com o plano do Executivo, citado em ocasiões anteriores, de ampliar, de forma ordenada, a ocupação do lado oeste da Via Láctea.

Acerca do Habite-se, ou seja, o aval para a utilização de um imóvel após a obra ter seguido as normas vigentes, houve 474 efetivações. Em comparação com 2024, o montante representa acréscimo de 9%. Em meio ao avanço, a pasta destaca que a análise de cada caso considera questões ambientais e estruturais, de modo a garantir o equilíbrio entre os projetos e o desenvolvimento do município.

Visão do mercado

Gerente de desenvolvimento de negócios e um dos responsáveis pelo residencial Bela Figueira, no Bairro Languiru, Diego Schonhorst aponta que a migração de pessoas e empresas, bem como a qualidade de vida local, contribuem para o aquecimento da construção civil. Há uma busca cada vez maior por imóveis em áreas próximas a centros comerciais, escolas e postos de saúde. Segurança e locais com potencial de valorização também são critérios adotados pelo comprador na hora da aquisição.

Neste sentido, o Bairro Canabarro sempre é o preferido de quem busca terrenos em função do preço mais baixo, a depender da localização e condições. No Languiru, ocorre o oposto. Schonhorst cita, ainda, o incremento imobiliário do Bairro Teutônia, que tem recebido atenção cada vez maior de investidores. Entre os possíveis fatores apontados, estão as recentes inaugurações da Agência do Sicredi Ouro Branco RS/MG e do novo prédio do Colégio Teutônia , além da revitalização da praça, esta concluída em dezembro de 2025.

O sócio da Mais Engenharia, Vicente Feldkircher, destaca que o panorama do setor é positivo, mas não configura, necessariamente, uma alta repentina. “Entendo que a construção civil não apresenta picos de crescimento ou de queda, mas sim uma evolução constante e contínua”, avalia. Ele menciona, ainda, que Languiru e Canabarro estão sempre em destaque por conta de suas características de localização ou abrangência. Sobre a segunda localidade, especialmente, pelo tamanho e disponibilidade de áreas. Em ambos, há variações.

Feldkircher enfatiza que o comprador busca equalizar a qualidade e preços que cabem no bolso, a fim de não prejudicar as finanças pessoais ou familiares. A preferência se dá por imóveis menores, do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), com dois ou três dormitórios.

Quanto às perspectivas para 2026, o entendimento é de que o ano deverá ser mais morno em função das incertezas ligadas ao pré e pós-eleição e em meio ao contexto de uma taxa de juros ainda alta. Esse ponto, inclusive, pode limitar o crédito pessoal.

Exigência de um padrão de qualidade cada vez maior nos acabamentos está entre as principais demandas dos compradores.

Por dentro da obra

Natural de Santa Catarina, Gilmar Rigo é mestre de obras e reside há 28 anos em Teutônia. Nos últimos três, dedicou-se à construção do Residencial Bela Figueira, cuja previsão de entrega é para este primeiro semestre e possui 32 das 34 unidades comercializadas.

Ele enfatiza que o setor possui oportunidades para quem busca emprego, mesmo aos que não possuem experiência, mas desejam “aprender na prática”.

Contudo, a reiterada falta de mão de obra é um desafio que, por vezes, influencia diretamente no andamento dos trabalhos. Hoje, em torno de cinco profissionais atuam no local. O desinteresse está entre os principais fatores.

Para Rigo, o setor exige responsabilidade, assim como uma ampla capacidade de resiliência. Afinal, calor, frio e exposição à altura fazem parte da rotina. Nessa obra, por exemplo, a cobertura está a cerca de 30 metros do chão. “É necessário estar atento também aos acabamentos e aos materiais. O mínimo detalhe pode fazer a diferença, tanto na decisão do comprador quanto na avaliação do teu trabalho”, menciona.

Morador do Bairro Alesgut, o profissional lembra que os arredores mudaram muito ao longo dos anos, pois a infraestrutura, no fim dos anos 1990, “ainda era limitada”. Prevalecia a vegetação. Segundo ele, essa transformação contribui para valorizar os bens, desde que a ordem sempre seja priorizada. Inicialmente, ele residiu no Canabarro, mas optou pela mudança em função da tranquilidade e pelo preço, naquela época, ter estado bem mais em conta.

“Teutônia é vista com outros olhos”

Encomendada pelo Sinduscom, entidade que representa o setor na região, a pesquisa “Panorama do Mercado Imobiliário” aponta uma tendência distinta para o Vale do Taquari, com um volume de lançamentos muito superior na comparação com outras regiões.

Com 400% a mais entre 2024 e o primeiro semestre de 2025, Lajeado encabeça os números. Feito pela empresa Brain Inteligência Estratégica em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), o estudo abrangeu, ainda, Teutônia, Estrela, Bom Retiro do Sul e Taquari. A segunda etapa está prevista para ser lançada em março.

Conforme o presidente do Sinduscom-VT, Daniel Bergesch, Teutônia também se destaca porque

Daniel Bergesch, presidente da Sinduscom-VT. Foto: Arquivo Pessoal

“começou a ser vista com outros olhos por não ter sido impactada significativamente” pelas cheias dos últimos anos. Além disso, a localização é estratégica, com acesso facilitado a grandes centros econômicos da Serra e Região Metropolitana, via Rota do Sol e BR-386. O território também é um ponto forte. “O município possui uma disponibilidade maior de áreas na comparação com Estrela e Arroio do Meio, por exemplo. Logo, pode abranger e se estabelecer como mais um importante polo de serviços no Vale”, enfatiza Bergesch.

Além da qualificação de mão de obra, vista como essencial para manter o setor em alta e o padrão das entregas, o dirigente menciona que a captação de recursos para execução das obras via instituições bancárias, conhecida como Funding, merecerá ainda mais atenção neste ano. A observação se dá no âmbito de uma desaceleração no Sistema de Poupança e Empréstimo (SBPE) entre 2024 e 2025. Ainda, a Reforma Tributária, que prevê, entre outras particularidades, a regularização de trabalhos informais e o cálculo do imposto em cima do resultado da obra.

Ainda sobre a pesquisa, Bergesch aponta, no âmbito regional, que há uma distribuição mais equilibrada no padrão dos imóveis. Assim como em Teutônia, moradias vinculadas ao MCMV ganharam espaço. Porém, de até um dormitório ou os “studios”, a versão mais “moderna” dos populares kitnets. A maior parte do público procura apartamentos, na faixa dos R$ 400 mil.

No Estado

Levantamento divulgado no início deste mês pelo Sinduscon-RS mostra que a construção civil gaúcha cresceu apenas 0,4% no último trimestre de 2025. O índice é inferior ao nacional, cujo registro chegou a 1,3%.

Por outro lado, no recorte dos últimos quatro trimestres, a variação é positiva: 2,9% ante 2,5%. Na visão do presidente Claudio Teitelbaum, mesmo assim, o 2026 apresenta “um ambiente econômico favorável para a retomada dos empregos e demais investimentos”.

Números do Vale*

• Municípios pesquisados representam 2,1% do potencial de consumo gaúcho
• Mais de 90% das unidades foram erguidas em Lajeado
• 35,9% das unidades verticais são do Minha Casa, Minha Vida (MCMV); 29% compactos;
• 66,7% preferem imóveis de dois dormitórios;
• 49% procuram apartamento;
• 71% das aquisições são de imóveis até R$ 400 mil;
• 76 % investem para uso próprio;
• 64% possuem renda de até R$ 5 mil;
• 33% buscam sair do aluguel.

Fonte: Pesquisa “Mercado Imobiliário Lajeado e Vale do Taquari”, feita pela Brain Inteligência Estratégica e Fiergs

*Estudo analisou as cidades de Teutônia, Lajeado, Estrela, Bom Retiro do Sul e Taquari.

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