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ORIGENS DE UMA POTÊNCIA

Da feira de um dia ao grande evento regional: a trajetória da Festa de Maio

Criada em 1984, festividade ampliou estrutura, acompanhou crescimento e se consolidou como vitrine econômica e cultural

Por: Marcel Lovato

14/03/2026 | 07:00 Atualização: 14/03/2026 | 10:10
Ao longo das edições,
Centro Administrativo
se notabilizou como
o ponto de encontro
da comunidade para
celebrar as virtudes locais. Na imagem, a festa de 2002. Foto: Arquivo CIC/Teutônia
Ao longo das edições, Centro Administrativo se notabilizou como o ponto de encontro da comunidade para celebrar as virtudes locais. Na imagem, a festa de 2002. Foto: Arquivo CIC/Teutônia

Quatro anos depois, a Festa de Maio está oficialmente de volta. Lançado no último dia 5, o evento vai ocorrer entre os dias 14 e 17 e 22 a 24, no Centro Administrativo, em comemoração aos 45 anos do município. Será a 17ª edição de uma história que começou a ser escrita em 1984, logo no segundo ano de instalação de Teutônia. De acordo com o então vice-prefeito, Silvério Luersen, a criação teve o objetivo de valorizar a pujança econômica e cultural local.

Esta premissa norteou as programações dos anos seguintes. Segundo Luersen, no dia 27 de maio daquele ano, a Associação dos Funcionários da Languiru sediou um evento considerado o “embrião” da Festa de Maio. Na data, houve apresentações culturais, entrega do “Prêmio Produtividade”, Torneio de Futebol-Sete e exposições comercial e agropecuária. A ideia partiu do então prefeito Elton Klepker.

Em 1985, a organização se deu em conjunto entre a prefeitura, Comissão de Indústria e Comércio, Emater-RS/Ascar, sindicatos, Cooperativas Certel, Languiru e Sicredi, além dos corais e comunidade. Estruturado como feira pela primeira vez, ganhou o nome atual e ocorreu no antigo pavilhão da Languiru, em frente à rodoviária. Então chefe do escritório da Emater, André Kich foi o primeiro presidente. Outro destaque foram as atividades esportivas, com torneios de futsal e bolão, além de corrida de bicicletas.

Exposições marcaram presença desde as primeiras edições e sempre atraem os visitantes, como em 1996. Foto: Arquivo/Informativo Regional

Nova era

Uma edição histórica foi realizada em 1987. Afinal, foi a primeira a ser feita no Centro Administrativo, que havia sido concluído meses antes. Silvério lembra que a festa ocorreu durante oito dias seguidos e teve mais de 40 expositores. A curiosidade dos visitantes pela arquitetura do novo complexo do Executivo roubou a cena da programação. Destaque ainda para a “captura do porco ensebado”, repetida em outras ocasiões.

Durante seu primeiro governo, entre 1989 e 1992, não houve Festa de Maio. “Nós realizamos programações artísticas menores para a data não passar em branco, tradição seguida até os dias atuais. Na época, nós precisávamos concentrar esforços em outras áreas”, lembra Silvério. A agenda mais extensa retornou em 1993.

Ao longo da década, houve alternâncias entre edições maiores e menores, de acordo com o contexto econômico de cada período. Nos arredores do Centro Administrativo, os shows, por exemplo, ocorreram no terreno atualmente ocupado pela Câmara de Vereadores. Para marcar o fim dos 1990, ocorreu o lançamento do primeiro CD da Orquestra de Teutônia. Também foi a última vez que a prefeitura realizou o evento sem a parceria de uma associação comercial. Em vários períodos, não houve cobrança de ingresso.

Chegada da CIC

Fundada em dezembro de 1999, a CIC Teutônia começou a se envolver com a Festa de Maio já na edição de 2000, quando ficou responsável pela exposição comercial e industrial. A estrutura dos estandes foi reforçada e pela primeira vez o número de empresas se aproximou de 100. De acordo com a entidade, entre as curiosidades, a apresentação de uma sucuri de quatro metros e um forte vendaval às vésperas da abertura, o que exigiu mudanças de data.

Em um histórico de periodicidades variáveis, foi a única oportunidade em que o evento ocorreu em dois anos consecutivos.  Com o passar do tempo, as atribuições cresceram, de modo a acompanhar a repercussão cada vez maior tanto no cenário estadual quanto nacional.

Após ocorrer por muito tempo no Centro Administrativo, a festa que marcou os 25 anos de Teutônia, em 2006, voltou para a Mimi. Luersen, em seu segundo mandato, fez a mudança porque o público crescia e o número de expositores havia batido recorde na edição de 2004: 275. Era necessário mais espaço. “Foi um experimento. Utilizamos os pavilhões, o campo de futebol, toda a estrutura disponível. Os shows também tiveram boa repercussão. O problema foi que havia somente um acesso. Deu congestionamento de Languiru até Boa Vista todos os dias”, lembra o ex-prefeito.

Com 75 mil visitantes na contagem oficial (110 mil, conforme matérias divulgadas na época), foi, até aquele momento, a maior edição. Por conta disso, na segunda edição realizada na sua gestão, em 2008, as atividades retornaram ao local tradicional.

O gerente financeiro e de eventos da CIC, Alexander Blömker, que atua desde 2002, destaca que a partir desse período, tanto a entidade quanto a prefeitura entenderam a importância de trazer artistas ainda mais renomados. Assim começou a era dos shows nacionais, com a dupla Gilberto e Gilmar, sertanejos que estão na estrada desde a década de 1960. Em paralelo, houve reforço do espaço para as bandas locais.

Em 2014, show da dupla Fernando e Sorocaba ficou marcado pela presença de um dos cantores dentro de uma bola conduzida pelo público. Foto: Arquivo CIC/Teutônia

Posteriormente, artistas consagrados como Teodoro e Sampaio, Nenhum de Nós, The Fevers, The Travellers, Chimarruts, Fernando e Sorocaba, Jota Quest, Daniel, Zezé Di Camargo e Luciano, Munhoz e Mariano, Amado Batista e Luan Santana subiram ao palco e embalaram multidões.

Luan Santana, Fernando e Sorocaba e Jota Quest estiveram entre as maiores apresentações. Em 2014, no show do Fernando e Sorocaba, um dos cantores entrou em uma bola gigante e foi conduzido pela plateia. Enquanto isso, ele seguia com a canção. O Jota Quest, por fazer parte das gerações dos anos 1990 e 2000 e pela extrema simpatia, e Luan, pela legião de fãs jovens que angariou ao longo da sua carreira. Foram inesquecíveis”, menciona Blömker. A edição de 2014 marcou, ainda, a utilização do recém-construído Pavilhão Multiuso.

Gastronomia com o prato típico Schweinebraten como referência, a entrega do Prêmio Destaques, desfiles, parque de diversões, artesanato e o espaço agropecuário são outras atrações que sempre, ou frequentemente, fizeram parte das programações.

Mais envolvimento

Ex-prefeito Silvério participou da organização de várias edições e destaca o papel histórico do evento. Foto: Marcel Lovato

Para Silvério Luersen, a Festa de Maio deve manter o propósito de “mostrar o que Teutônia tem e é”. Ou seja, o potencial desta terra. Ele entende que parte da comunidade “busca saber apenas dos shows”, mas não presta atenção (ou talvez nem saiba) da importância histórica e cultural da festividade para o município.

A feira vai muito além da parte artística. É a nossa essência. A participação precisa ir além do poder público, CIC e parceiros. Temos de ter uma comunidade mais envolvida, como foi no início”, defende o ex-prefeito. Segundo ele, para manter a relevância e seguir no radar do público, é preciso pensar em constante evolução e alternativas.

SHOWS NACIONAIS DA FESTA DE MAIO*

  • 2002 – Gilberto e Gilmar e Cidadão Quem
  • 2004 – Teodoro e Sampaio
  • 2006 – Nenhum de Nós e The Fevers
  • 2008 – Hugo e Tiago, Chimarruts e The Travellers
  • 2011 – Jota Quest e Zezé Di Camargo e Luciano
  • 2014 – Daniel, Fernando e Sorocaba e Guri de Uruguaiana
  • 2016 – Amado Batista e Munhoz e Mariano
  • 2018 – Não houve show nacional**
  • 2022 – Luan Santana, Nenhum de Nós e Gabriela Rocha

* Até a edição 2000, as principais atrações artísticas privilegiaram bandas ou cantores do município, Vale do Taquari
e/ou Rio Grande do Sul.

**Em 2018, estava prevista a apresentação da dupla sertaneja Marcos e Belutti, para o dia 26. Todavia, a apresentação teve de ser cancelada por conta da greve dos caminhoneiros. Conforme nota emitida pela CIC na época, o deslocamento da equipe para o show foi inviabilizado, uma vez que os equipamentos de som ficaram retidos em São Paulo. Em função do previsto, a organização remanejou as apresentações e o músico Joel Carlo e Banda subiram ao palco no horário.

Leia também as Edições Impressas.

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