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ILUSTRE CIDADÃ

“Dançar é o modo como eu vejo a vida. A dança é a minha alma, o meu coração”

O quadro Ilustre Cidadã entrevista Raquel Janke da Silva Feyh

Por: Marco Mallmann

08/01/2026 | 10:33
Raquel Janke da Silva Feyh
Raquel Janke da Silva Feyh

A professora Raquel Janke da Silva Feyh tem 49 anos. Natural de Pelotas, aos 20 anos, em 1998, veio a Teutônia e materializou a paixão pela dança, que cultivava desde pequena, na criação do Grupo de Danças Movimentu’s. Hoje multipremiada no RS e também fora dele, a companhia leva o nome de Teutônia a todos os eventos que participa.

Como foi o teu primeiro contato com a dança?

Raquel Feyh Em Pelotas, uma prima dançava. Nós morávamos num bairro distante do centro, mas sempre que eu podia eu a acompanhava para assistir os ensaios. E isso me fortaleceu, porque eu sonhava um dia estar ali. Eu juntava as meninas e os meninos da minha rua e fazia coreografias, que nós apresentávamos na noite de Natal. Depois fui estudar no Centro Municipal Pelotense porque eu queria fazer Magistério. E nessa escola tinha dança e eu consegui realizar meu sonho de dançar em grupo. Tive contato com a ginástica artística. Ali eu me realizei.

E as primeiras experiências em Teutônia?

Raquel Vim ao Vale do Taquari sem conhecer nada, mas tinha uma prima que morava aqui. Procurei a administração municipal na época. Como eu era formada em Magistério e ia cursar Educação Física, paralelo à dança, trouxe meu currículo e informei que tinha interesse em atuar no município. No mesmo dia encontrei com o maestro Astor Dalferth, da Orquestra de Teutônia, na prefeitura. Ele havia escutado eu falando do interesse em abrir uma escola de dança e me disse que estava à procura de uma coreógrafa para a orquestra. Trocamos os contatos, passei a estudar o que poderia passar para o grupo e iniciei o trabalho em março. Participei, inclusive, da primeira turnê que eles fizeram pelo Brasil.

E o início com o Movimentu’s?

Raquel Em 7 de março do mesmo ano eu iniciei com os primeiros ensaios. Obtive carta branca para conversar com os diretores e fazer propaganda nas escolas. Iniciei no Canabarrense, passei a ensaiar no Centro Cultural Martin Luther e, logo depois, consegui espaço no Clube Recreativo Teutoniense. Ali eu já tinha muitos alunos, porque era uma novidade para a região. Eu me senti em casa, fui super bem acolhida e acolhi as pessoas. Acho que isso foi o principal, porque no início as pessoas não conheciam o meu trabalho, mas foram me conhecendo, confiaram seus filhos à minha responsabilidade e o grupo só cresceu. Naquele primeiro ano eu já fiz o primeiro show do Movimentu’s, um jantar baile, no Canabarrense.

O grupo é uma espécie de porta-voz de Teutônia?

Raquel Formamos um grupo muito unido, com apoio incondicional das famílias. Em muitos lugares que a gente vai, as pessoas não conhecem Teutônia, mas conhecem o nosso grupo, que é uma referência. Já dançamos em todas as regiões do RS. No início dançávamos muito no interior do município, divulgando o trabalho nas comunidades, além de nos apresentar em outras cidades. Hoje a gente já tem um calendário mais definido, de quais eventos vamos participar ao longo do ano. Por dois anos fomos selecionados para participar do maior festival de danças do mundo, que acontece em Joinville (SC). É um aprendizado fantástico, um dos palcos mais importantes da dança mundial.

Onde o Movimentu’s atua hoje, além de Teutônia?

Raquel Temos núcleos em Westfália, Poço das Antas e Paverama. As comunidades vieram até mim propondo parcerias para encontrar espaços. Já estou com tratativas em outros municípios e posso adiantar que vamos dar um salto bastante grande: pretendemos iniciar em Colinas e em Lajeado e o número de bailarinas vai aumentar muito. Hoje temos em torno de 180 bailarinas. A média dos últimos 15 anos ficou em 120, 130 alunas.

Quais os benefícios que a dança proporciona?

Raquel É uma importante ferramenta de inclusão para pessoas com deficiência, como autismo e síndrome de down, por exemplo. Mas o fundamental é o fato de pertencer a um grupo. Tenho essa filosofia de que o grupo Movimentu’s é um espaço onde a gente pode falar de tudo, compartilhar. É um espaço seguro, um lugar saudável que vai propiciar a formação de valores, respeito às diferenças, acolhimento, disciplina, foco, trabalho em equipe, respeito. Sem contar a saúde física. As dançarinas ensaiam três a quatro vezes por semana, então não necessitam de academia. Conversamos sobre alimentação, sobre corpos diferentes. 

O que a dança representa para ti? 

Raquel A dança é a forma como eu enxergo o mundo e acho que não existe a Raquel sem a dança. Não consigo me imaginar sem criar, sem estar sempre pensando como eu poderia fazer a construção, juntar determinado movimento com uma música específica. Eu não me imagino de outra forma, sem estar em contato com a arte, com o palco. Dançar é o modo como eu vejo a vida. A dança é a minha alma, o meu coração, é a forma como eu expresso a dor, as perdas e, principalmente, a alegria. A arte em si é uma forma de esperança.

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