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ILUSTRE CIDADÃO

“Em algum lugar vai se produzir sapato: eu entendo que esse lugar é Teutônia”

O quadro Ilustre Cidadão entrevista Roberto Müller

Por: Marco Mallmann

27/11/2025 | 14:19
Roberto Müller
Roberto Müller

Natural de Linha Harmonia, filho de agricultores, Roberto Müller tem 56 anos, recém completados. Em 20 de janeiro de 1986, após dispensado do Serviço Militar, prestes a completar 18 anos, iniciou na primeira turma do pré-fabricado (solados) da Calçados Paquetá. Acompanhou o crescimento da empresa, ao lado de dezenas de outros jovens do interior. Em 1991, foi convidado para fazer parte, como quarto suplente, da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Calçadista de Teutônia (Siticalte). Na mesma diretoria, assumiu, em setembro de 1993, um mandato tampão de seis meses, após a separação dos sindicatos, com Bom Retiro do Sul fundando sua própria entidade.

Como foi o teu início de trabalho no Siticalte?

Roberto Müller Foram diversos desafios. Tínhamos o dissídio coletivo – com data-base em novembro – para definir, a eleição da nova diretoria – em março de 1994 – para organizar, uma dívida grande contraída pelo ex-presidente, entre outras questões. Ninguém quis se candidatar para ser presidente, ao ponto que assumi a tarefa e fui eleito, pela primeira vez, em março de 1994. Fomos fazendo muitas coisas. Eu tive muito apoio do então gerente da Paquetá, o Guido Bastian. Segui muitos dos seus conselhos e ensinamentos. A partir dali, fui implantando ideias minhas e o Siticalte só cresceu.

Quais foram os principais problemas enfrentados pelo setor calçadista? 

Müller Passou por muitos altos e baixos, mas o pior foi a partir de 2006, quando a Blip iniciou a demitir funcionários e foi à falência, em 2007, culminando ainda com o fechamento da Calçados Reifer. Todos diziam que devíamos abandonar o setor, mas eu me mantive firme, pois entendia que deveríamos lutar, porque enquanto que em algum lugar do mundo alguém vai usar sapato, em algum lugar vai se produzir sapato: e eu entendo que esse lugar é Teutônia. Agora, quase 20 anos depois, continuamos muito fortes no ramo.

Como foi o processo de atração de novas empresas naquela época?

Müller Houve uma marcha, a pé, de Canabarro até a Câmara de Vereadores, que funcionava no Centro Administrativo. Ela nasceu da necessidade do emprego, foi algo totalmente voluntário. A partir dali, iniciou um movimento em Teutônia. A atração da Beira-Rio foi uma construção do poder público. Já a Piccadilly, que estava estabelecida no Bairro Boa Vista, e, numa conversa em assembleia, falei com um dos diretores e sugeri que eles viessem se instalar na Reifer. Nos bastidores, conversei com o então prefeito, Silvério Luersen, e com o ex-secretário de Indústria e Comércio, Flávio Sanders, e pedi que eles visitassem a sede da empresa, em Igrejinha (RS), e fizessem uma oferta para atraí-los a Teutônia. Daí iniciou o processo da vinda dos diretores para conhecer a planta. Enquanto isso, eu conversava com o empresário Marco Antônio Fontana (Reifer), que foi muito solícito e facilitou as negociações. A partir dali, fomos brindados com duas empresas grandes e ressurgimos no calçado. Somente Beira-Rio e Piccadilly empregam, diretamente, de 2 mil a 2,2 mil funcionários. Fora os ateliers, que somam dezenas, em municípios como Teutônia, Paverama, Bom Retiro do Sul, Estrela e Santa Clara do Sul, produzindo para essas duas empresas.

Nesses quase 32 anos na diretoria, qual tua sensação em contribuir com o setor?

Müller Sou um apaixonado por sapato, desde o primeiro momento em que comecei a trabalhar. Entendo que o Siticalte contribuiu – e segue contribuindo – muito em nossa região, na questão do emprego. E se temos emprego, temos tudo. Tivemos uma evolução gigante na qualidade do emprego. Hoje temos empresas limpas, bonitas, um ambiente de trabalho bom, humano, regime 5 por 2 – com finais de semana livres –, o que é fantástico. Embora sempre tenhamos estimulado a diversificação, através dos cursos voltados às mais diversas áreas, sempre vou prezar para que o calçado permaneça. A qualificação profissional também nos traz muito orgulho, porque oferecemos cursos de costura em calçados há mais de 30 anos. Isso, com certeza, prolongou e manteve o emprego no setor em Teutônia. Hoje, são milhares de costureiras formadas, que estão no mercado, e graças a isso somos um polo de mão-de-obra diferenciado, com excelente qualidade no nosso calçado, o que as empresas também buscam. Eu me sinto muito realizado. No momento em que eu sair do Siticalte, saio tranquilo, porque tudo o que fizemos foi com carinho e seriedade. Peguei um sindicato falido e hoje temos uma estrutura excelente, com muitos convênios e benefícios para os associados, além de centenas de alunos circulando semanalmente por nossa sede. Para mim, é uma satisfação gigante.

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