O Colégio Teutônia sediou, no dia 11, um encontro preparatório ao IV Congresso Internacional de Educação, reunindo representantes do sistema de justiça, da gestão pública e da área educacional para avaliar as ações já desenvolvidas em Justiça Restaurativa na região e discutir estratégias de fortalecimento das práticas restaurativas.
A atividade antecedeu a programação do Congresso, realizado nos dias 12 e 13, com o tema “Círculos de saberes: por uma educação humanizada”, e contou com a participação de 36 facilitadores de Círculos de Construção de Paz. O objetivo foi promover a reflexão sobre os avanços obtidos e os próximos passos para consolidar a atuação em rede.
Entre os participantes esteve a pesquisadora Kay Pranis, referência internacional em Círculos de Construção de Paz e Justiça Restaurativa, que também palestrou no Congresso com o tema “Tecendo a paz: práticas restaurativas no ambiente escolar”.
Durante o encontro, ela destacou a importância da sabedoria coletiva no desenvolvimento das práticas restaurativas e ressaltou que o processo exige aprendizagem contínua, avaliação permanente e corresponsabilidade dos envolvidos.
Segundo a pesquisadora, a Justiça Restaurativa não se propõe a rebater a violência, mas a desviá-la, promovendo a compreensão das situações a partir da escuta e do reconhecimento das origens dos conflitos.

Reunião contou com a participação de representantes do sistema de justiça, da gestão pública e da educação, entre eles 36 facilitadores de Círculos de Construção de Paz
Ecossistema de cuidado
O promotor de Justiça de Lajeado, Sérgio da Fonseca Diefenbach, apresentou os projetos desenvolvidos no Vale do Taquari e afirmou que a região consolidou um modelo de atuação baseado na integração entre instituições e comunidade. Conforme destacou, Teutônia se tornou referência regional ao estruturar um ecossistema de segurança e cuidado formado por pessoas e organizações que atuam de forma articulada.
Diefenbach também mencionou o projeto Pacto pela Paz, desenvolvido em parceria com escolas, e defendeu a importância de ampliar o debate sobre práticas restaurativas em um contexto social marcado por diferentes formas de violência.
Formação consolidada
Em Teutônia, a formação de facilitadores em Justiça Restaurativa teve início em 2013. Atualmente, o município conta com cerca de 50 facilitadores capacitados, todos servidores públicos. Em 2023, o Colégio Teutônia ampliou a iniciativa ao oferecer formação a todos os professores da instituição.
A orientadora educacional Rosa Maria Schneider afirmou que as práticas restaurativas já integram a rotina escolar, com a realização de rodas de conversa e círculos de construção de paz em todas as etapas de ensino, da Educação Infantil à Educação Profissional. Segundo ela, o encontro reforçou a continuidade das ações e contribuiu para o aprimoramento das estratégias voltadas à reparação e à promoção de uma cultura de paz.
A participação de Kay Pranis teve como finalidade ouvir os facilitadores e contribuir para o avanço da rede no enfrentamento de diferentes formas de violência, como Feminicídio e maus-tratos a animais, fortalecendo a atuação regional em Justiça Restaurativa.