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Relatório da DEE

Estudo revela persistência das desigualdades étnico-raciais no Rio Grande do Sul

Levantamento mostra que diferenças de renda, escolarização, moradia e representatividade política seguem elevadas entre brancos, negros, indígenas e quilombolas

Por: Assessoria de Imprensa

20/11/2025 | 11:58
Foto: Getty Images/reprodução
Foto: Getty Images/reprodução

Um levantamento do Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), revela que, embora os rendimentos tenham crescido para todos os grupos raciais entre 2015 e 2025, as desigualdades permanecem altas no Rio Grande do Sul e no Brasil. O estudo integra o ODS 18 – Igualdade Étnico-Racial no Brasil, que reúne 137 indicadores voltados a monitorar desigualdades que atingem povos indígenas, afrodescendentes e outros grupos vulnerabilizados.

No Rio Grande do Sul, pessoas brancas tiveram aumento de renda de 13,6% no período, enquanto pardas registraram crescimento de 27,5% e pretas, de 19,4%. Apesar da evolução proporcional maior entre pardos e pretos, a diferença absoluta se manteve elevada em 2025: brancos receberam, em média, R$ 3.981, contra R$ 2.733 (pardos) e R$ 2.527 (pretos). No Brasil, o comportamento foi semelhante.

A informalidade também caiu no Estado entre 2016 e 2025 para todos os grupos raciais. Mesmo assim, pardos seguiram com a maior taxa (33,8%). No país, a informalidade diminuiu entre pardos e pretos, mas cresceu entre brancos, mantendo pardos como o grupo mais atingido (42,9%).

As taxas de violência contra pessoas heterossexuais cresceram no Estado. Entre brancos, o indicador passou de 46,1 para 97,4 casos por 100 mil habitantes entre 2015 e 2024 (alta de 111,6%). Entre negros, o aumento foi de 56,8%. Nos registros relacionados a outras orientações sexuais, houve avanço entre brancos e retração entre negros.

As taxas de encarceramento masculino também aumentaram. Entre homens negros, o crescimento foi de 46,9% no Brasil e 32,5% no RS; entre brancos, 22,6% e 51,1%, respectivamente. Casos de injúria racial subiram entre 2020 e 2024: o país registrou 14,55 denúncias por 100 mil habitantes, 88% motivadas por raça; no RS, foram 5,36 casos, sendo 86% ligados à cor ou etnia.

A sub-representação de pessoas negras permanece expressiva. Nas eleições municipais de 2016 e 2020, brancos representaram mais de 63% das candidaturas a prefeito no Brasil, proporção acima dos 43,5% de brancos na população. No RS, o cenário é ainda mais desigual: mais de 96% dos candidatos e mais de 98% dos eleitos para prefeituras em ambos os pleitos eram brancos.

Os dados do Censo 2022 mostram vulnerabilidades persistentes em territórios tradicionais. No Brasil, apenas 3,3% dos domicílios indígenas tinham esgotamento sanitário adequado; no RS, somente 0,8%. Entre quilombolas, metade dos domicílios brasileiros não tinha ligação com a rede geral de água. No RS, a proporção foi menor (28,9%), mas acima da média quando se consideram áreas fora de territórios quilombolas.

O acesso ao pré-natal melhorou entre 2015 e 2024. No RS, mulheres brancas com ao menos sete consultas passaram de 76,3% para 84,3%; entre indígenas, de 57,6% para 68,5%. Entre bebês pretos e pardos, as taxas de pré-natal adequado também subiram, com desempenho próximo ou superior à média nacional.

As taxas de abandono escolar no Ensino Fundamental diminuíram entre indígenas no RS, passando de 7,5% para 5,7% entre 2015 e 2023. Entre estudantes pretos e pardos, porém, a queda foi discreta, e a educação quilombola registrou leve aumento. No Ensino Superior, em 2024, a escolarização de jovens brancos (35,7%) segue muito acima da de jovens pretos e pardos (15,4%) no Estado.

Em 2025, mais da metade da população indígena do Brasil estava inscrita no Cadastro Único (54%), proporção que chega a 70,2% no RS. Entre quilombolas, as taxas foram ainda maiores: 67,3% no país e 93,4% no Estado.

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