Com mais de 30 anos dedicados à comunidade escolar preparando as refeições para a merenda dos alunos, aos 98 anos, dona Elvira Maria da Rosa deixou um grande legado também como voluntária na comunidade católica Nossa Senhora do Rosário. Torcedora fiel do Internacional, recebeu, em 11 de julho de 2023, uma placa de homenagem e reconhecimento da Câmara de Vereadores de Teutônia pelos serviços prestados à comunidade.
De onde a senhora é natural?
Dona Elvira Maria da Rosa – Nasci em Bom Retiro do Sul, em 27 de junho de 1927. Meus pais se chamavam Osório e Afonsina Gomes. Sou a filha mais velha e tenho 11 irmãos. Tenho três filhos, um genro, três enteados, nove netos, sendo dois de coração, e cinco bisnetos. Mesmo não sendo de Teutônia, quis Deus que eu fizesse história nessa cidade. Foi uma história de vida simples, de muita luta. Quando éramos crianças, passamos muito trabalho, muitas dificuldades. Não era fácil para os meus pais criar uma família tão grande. Porém, sempre trabalhamos muito, eu e meus irmãos, para ajudar nossos pais.
Como a senhora veio para Teutônia?
Dona Elvira – Vim através da indicação de uma amiga para trabalhar em uma escola na cidade, na época o Grupo Escolar General Canabarro, hoje Escola Estadual Reynaldo Affonso Augustin. Deus sempre coloca no caminho pessoas de bom coração. A saudosa Maria de Assunção Guimarães Giannoulakis, que não está mais entre nós, foi quem abriu as portas para que eu pudesse trabalhar no preparo da merenda. Ainda hoje, muitos ex-alunos que encontram alguém da minha família na rua perguntam por mim e lembram das sopas, feijoadas, bolinhos, pães e cucas que eu preparava no fogão e no forno a lenha da escola. Inclusive, para muitos deles, oriundos de famílias mais humildes, aquela era a única refeição do dia. Foram mais de 30 anos dedicados à comunidade escolar. Eu preparava as refeições para os alunos com simplicidade, mas com muito amor, carinho e paciência. Sempre tive a ajuda das colegas Célia Hunsche e Ivone Conceição (in memoriam), que auxiliavam nas tarefas.
E essa dedicação rendeu convite para a senhora auxiliar também na comunidade católica?
Dona Elvira – Sim. A dedicação na cozinha da escola era tanta que as pessoas da comunidade me pediam auxílio para preparar as refeições nas festas comunitárias da igreja católica. Além disso, meu marido, Antônio (in memoriam), trabalhou na construção da antiga capela e do ginásio da comunidade. Nosso legado de dedicação foi passando para os filhos e para os netos, que hoje seguem auxiliando nos eventos comunitários. Isso me dá muito orgulho.
Qual o sentimento de ter sido reconhecida pela Câmara de Vereadores de Teutônia?
Dona Elvira – É um reconhecimento muito importante, uma grande honra. A iniciativa foi do amigo e vereador Márcio Cristiano Vogel, que foi um dos tantos alunos para quem preparei refeições no meu período como merendeira da escola. Sei que a homenagem do Legislativo é um mérito para poucos. Guardarei aquela noite na memória para sempre.
Hoje, aos 98 anos, qual a mensagem que a senhora deixa para a comunidade?
Dona Elvira – Sou muito grata a Deus pela vida, pela saúde e pela família que ele me concedeu. Espero que minha sabedoria e experiência sejam bem aproveitadas por meus filhos, netos e bisnetos, e que eles sigam nosso exemplo de trabalho voluntário em prol da comunidade. Fico muito feliz em ser lembrada pelas comidas gostosas que preparei, com carinho e dedicação, e por tudo o que fiz pela comunidade, alcançando esse grande reconhecimento.