O Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) tem até 30 dias para iniciar trabalhos emergenciais na VRS-835, rodovia que liga Paverama a BR-386, e três meses para divulgar um estudo completo acerca da restauração da estrada. Em caso de descumprimento, está prevista uma multa diária no valor de R$ 10 mil.
A decisão foi publicada na juiz da 1º Vara da Comarca de Teutônia, Luis Gustavo Negri Garcia. Nela, o magistrado rejeita pedido de reconsideração da autarquia que havia tentado protelar os trabalhos para 180 dias, com análise de que não haveria motivos para mais adiamentos, pois tapa-buracos se mostraram “inúteis e contraproducentes”, além de sublinhar a compatibilidade do tempo concedido para as obras. Em dezembro, uma ação civil pública foi ajuizada para recuperação estrutural.
No inquérito, o Ministério Público anexou um levantamento fotográfico com 200 imagens sobre a situação da rodovia, a qual descreve como “em estado de calamidade” e aponta a presença de crateras. No processo, o promotor André Prediger, que recebeu a demanda inicial ainda no fim de 2024, descreve “o perigo constante para motoristas e pedestres e risco de morte”. Menciona também a inércia administrativa do Daer, que nada fez desde que tomou conhecimento dos problemas no ano passado.
Nas últimas semanas, o Daer alegou dificuldades operacionais e citou “uma complexidade técnica e obstáculos reais”, uma vez que 30 dias seriam “insuficientes para etapas como estudos de solo, análise de tráfego e e adequações contratuais rigorosas”. Havia pedido ainda a revisão do início dos prazos.
Destaque no Informativo Regional
Há cerca de 45 dias, o Informativo Regional abordou o estado crítico da rodovia ao longo dos 9,71 km que são de responsabilidade do Daer. Além dos buracos, trincas, afundamentos , valetas, vegetação alta e ausência de sinalização podem ser percebidos. Em destaque, a única placa de sinalização de velocidade que já está desgastada e pendurada na cerca de uma propriedade.
Na época, a prefeita de Paverama, Michele de Vargas, criticou a burocracia para obtenção de autorizações simples, como a roçada das margens ou reparos feitos pela própria administração. A reclamação é pela demora ou negativa. Também citou a “falta de um olhar cuidadoso” e o temor por uma tragédia.
À reportagem, o Daer havia descartado uma recuperação total imediata e se limitou a dizer que “novas intervenções seriam feitas” e garantiu o monitoramento das “condições de trafegabilidade”. Na prática, não é o que se vê.