Mecânico de bicicletas e dono da mais antiga loja de ferragens do município, Sérgio Kilpp, tem 75 anos e é natural de Boa Vista, Teutônia. Quando pequeno, foi apelidado pela avó de “Xóx” e é pela alcunha que é conhecido por todos. Depois de quatro anos no Curtume Augustin, trabalhou por 15 anos como funcionário de Augusto Michel (in memoriam), seu tio, de 1973 a 1988. Após um período em uma sala cedida por Michel para realizar consertos em bicicletas, Xóx retornou e assumiu a Ferragens Languiru em definitivo, em 1990. Já são 53 anos de atuação na loja, que, desde 2024, está em novo endereço.
Como era o trabalho na época em que o Augusto Michel era o proprietário da loja?
Xóx Kilpp – Os clientes procuravam de tudo e a loja realmente tinha artigos dos mais variados. O que eu não gostava muito é que quando alguém queria algo e não tinha na loja, o tio dizia: “Es kommt rhein”, ou seja, “vai entrar”, dando a impressão de que o produto chegaria em pouco tempo. Na época, as pessoas aguardavam por isso. Eu, quando comecei a tocar o negócio, logo cortei esse sistema de prometer algo que eu não sabia se seria possível cumprir.
Logo surgiu o interesse em seguir na profissão?
Xóx – Eu logo percebi que tinha interesse em seguir na loja, vi que era meu chão, uma vez que eu não sabia fazer outra coisa. Na loja eu fazia de tudo, desde compras, preenchimento de notas, cálculos, atendimento a clientes e fornecedores, cobranças e elaboração de tabelas de preços. Só não mexia com o dinheiro. Essa responsabilidade era do meu tio. Ele me ensinou muita coisa, a administrar o empreendimento e a fazer as coisas do jeito certo, com controle e honestidade.
Quando iniciou tua atividade como mecânico de bicicletas?
Xóx – Em julho de 1988. Comecei pequeno, apenas com alguns pneus e câmeras. As ferramentas que eu utilizava eram do meu avô. Fui adquirindo algumas peças e, com o tempo, o Augusto percebeu que não conseguia mais controlar a loja sozinho, fazer as anotações, as compras e tudo que tinha que ser feito. Daí ele começou a me repassar as coisas e, em 1990, assumi a loja. Adquiri muitos produtos na confiança, porque os vendedores me conheciam. Começamos a aumentar gradualmente o estoque e a variedade de produtos, como tubos e conexões, rolamentos e correias.
Como foi a transição para o novo endereço?
Xóx – A ideia inicial da família Michel era manter o prédio, mas como receberam uma oferta acabaram vendendo. Eu tinha 30 dias para fazer uma oferta de compra e mais 60 para sair. No meu prédio aqui havia um inquilino e tive sorte que deu tudo certo. Ele conseguiu alugar outro ponto e eu pude entrar aqui na loja. Hoje a minha filha, meus genros e os funcionários tocam a loja. Nossa intenção é ampliar em breve, já que a construção segue para os fundos.
Como está a loja hoje?
Xóx – Fizemos do limão uma limonada. Tudo melhorou nesse ponto onde estamos. Temos estacionamento próprio e a quantidade de clientes aumentou. O atendimento também está mais facilitado e organizado.
Qual é o teu sentimento por esta história de 53 anos atendendo pessoas?
Xóx – Meu sentimento é de gratidão. Me sinto muito feliz pelo fato de as pessoas confiarem em mim. Sempre fui honesto e nunca questionei quando alguém vinha com um produto recém comprado que havia apresentado problema. Fazia a troca e depois devolvia ao fornecedor. Meu objetivo sempre foi deixar o cliente satisfeito. Acima de tudo, sempre procurei trabalhar com seriedade e atender bem as pessoas. O resultado está aí: a loja está consolidada e tem a confiança da comunidade, mesmo que a concorrência seja maior hoje, pelo próprio crescimento de Teutônia e da região como um todo.