A chegada dos 30 anos abre espaço para as perspectivas acerca dos novos ciclos para os westfalianos. Com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) alto, conforme o IBGE, o município projeta elevar ainda mais os resultados que proporcionam esse patamar, sem deixar de lado a valorização das origens.
Para a presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Westfália (Aciswest), Cláudia Sulzbach, o espírito empreendedor, resiliência e o comprometimento serão ainda mais importantes para uma evolução sustentável.
A dirigente cita que Westfália possui “uma gama de oportunidades” em áreas variadas. Um exemplo é a exploração mais ampla no turismo, com o aproveitamento das paisagens naturais, descritas como “um pedaço da Europa” e a própria vitrine da “Dossland” (Terra do Biscoito). A divulgação mais ampla “do que Westfália tem de melhor” poderá despertar olhares além dos limites regionais. Alcançar todo o estado e o Brasil. Para isso, aprimorar a formação e reter talentos será primordial.
Um campo ainda mais forte
Com histórica solidez agropecuária, a cidade terá a missão de dar sequência à tamanha relevância das propriedades. Essa lição de casa, na visão da presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Teutônia, Westfália e Poço das Antas (STR), Liane Brackmann, está em plena execução. “A produção primária já impacta muito nos resultados e tudo indica que o município irá se destacar cada vez mais. Há um bom índice de sucessão, foco no trabalho e no aprimoramento das propriedades”, analisa Liane.
Essa perspectiva é reforçada pelo surgimento constante de minifúndios, o que deverá resultar em toneladas de alimentos nas próximas décadas, além do senso crescente sobre a importância da sustentabilidade. Outras áreas, aos poucos, ganham espaço como a gastronomia. Afinal, empreendimentos que servem comida típica estão em fase de criação, o que também está atrelado ao turismo. Ainda na produção, a tendência é de uma área maior dedicada à fruticultura
Cooperação, desafios e alternativas
“O senso de comunidade de Westfália é uma fortaleza”. Assim define a economista e presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cíntia Agostini. Segundo ela, a colaboração entre si, sensação de pertencimento e valorização do coletivo acima do individual favorece a participação popular nos serviços e na gestão pública. Embora comum em municípios de pequeno porte, o cotidiano típico de uma vida rural é um traço igualmente significativo.
Em paralelo ao leque de referências positivas, Westfália possui obstáculos. Um deles é a natural dependência, em grande medida, de recursos públicos oriundos do Estado e da União, especialmente do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Diante desse contexto, Cintia aponta a exigência contínua de um planejamento rigoroso na gestão orçamentária, dada a imposição de limites.
“Neste cenário, a reforma tributária surge como um novo desafio, especialmente por estar relacionada à dinâmica do consumo. Os municípios precisarão se adaptar a essa lógica, incentivando o consumo local como forma de fortalecer a economia. Em comunidades com renda média considerada boa, como é o caso de Westfália, o estímulo para que os moradores adquiram produtos e serviços no próprio município pode fazer diferença significativa na arrecadação e no desenvolvimento econômico”, enfatiza.
Ao complementar o ponto de vista de Claudia, Cintia menciona que o aproveitamento da vocação turística deverá contribuir para a redução dessa dependência. E de quebra, gerar novas fontes de receita.
Outro caminho importante está na atuação conjunta entre associações, consórcios e iniciativas regionais. A lógica é simples: aquilo que pode ser resolvido localmente deve permanecer no município; já as demandas mais complexas podem ser trabalhadas em escala regional, ampliando a capacidade de resposta.
Em suma, o objetivo principal passa pela qualificação da gestão pública, ampliação do acesso a informações técnicas, criatividade e adaptação às novas exigências para um futuro forte. “O patrimônio fundamental é a história vinculada à cultura alemã. Westfália carrega uma identidade rica, que deve ser divulgada. Tal legado representa não apenas um orgulho para a comunidade local, mas também um potencial importante para as gerações posteriores”, conclui Cintia.

Vila temática “Dossland” é uma das atrações turísticas na área central. Setor tem potencial para ser amplamente explorado. Foto: Marco Mallmann