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ILUSTRE CIDADÃ

“Não vou parar de escrever, porque gosto muito disso”

O quadro Ilustre Cidadã entrevista Nair Tereza Jantsch Dupont

Por: Marco Mallmann

28/08/2025 | 14:34 Atualização: 28/08/2025 | 14:34

A professora e escritora Nair Tereza Jantsch Dupont nasceu em 26 de abril de 1939, quando Paverama se chamava Arroio Grande. Aos 15, estudou no internato em Erechim, no Colégio São José e trabalhou no Hospital de Caridade. De volta para casa, recebeu convite para auxiliar na Casa de Retiro Vila Bethania, em Porto Alegre, onde trabalhou por três anos, no final da década de 1950. Porém, uma voz interna insistia que coordenar o retiro e ser doméstica não era seu futuro. Então, de volta a Paverama, trabalhou como costureira e cabeleireira, até seguir o conselho de seu pai e ir atrás do sonho de ser professora, missão que exerceu por 27 anos, até se aposentar, em 1997. Aos 85 anos, orgulha-se pelo troféu “Mulheres que Inspiram”, recebido pela Câmara de Vereadores. “Não tem explicação, a gente leva isso para a eternidade”.

Como surgiu a sua ligação com o ensino?

Nair Tereza Jantsch Dupont Eu sentia vontade de alargar seus horizontes, lecionar. Fui a Taquari me oferecer para ser professora. Fui aceita e passei a fazer cursos de aperfeiçoamento. Naquela época, na década de 1960, surgiram muitas brizoletas, porque o então governador, Leonel Brizola, não queria nenhuma criança fora da escola. A primeira experiência foi em 1962, como substituta da professora Alda Reckziegel, em Santa Manoela. De 1963 a 1966, completei o Curso Normal Regional no Colégio Santo Antônio de Estrela, fiz estágio e trabalhei no hospital. Em 1975, iniciei o Curso Intensivo de Férias na então Fates, hoje Univates, em Lajeado. Depois, todos queriam que eu trabalhasse na escola de sua comunidade. Mas eu decidi ir onde fui convidada primeiro, na escola no Morro dos Feyh. Era tão boa a sensação de ser professora pela primeira vez. Fiquei muito feliz! Depois, passei por várias escolas municipais, particulares e também na escola estadual. Ainda em 1975, ensinei adultos no Curso Supletivo, em Linha Brasil. Eram cerca de 30 alunos. Fazia tudo a pé e as caminhadas me renderam muitas histórias e memórias bonitas, muitas paisagens que nunca mais esqueci e que me serviram de inspiração.

Quando a senhora se casou?

Nair Em 1977, com o professor e músico Anselmo Dupont (in memoriam). Daí tive que trancar a faculdade, porque não havia transporte até Lajeado. Ele era viúvo e tinha seis filhos. Fomos morar em Morro Azul e lecionamos, meu esposo e eu, na Escola Particular Evangélica Visconde de Mauá, no Morro Azul. Além de ser professor, meu marido era maestro da Banda Municipal e fundou o Jazz Flor de Maio, o Jazz Flor do Sul, o La Paloma I e o La Paloma II.

E quando foi sua volta para a localidade de Paverama?

Nair Meu único filho biológico é o Alan Gustavo Dupont, que tem 45 anos hoje. Quando ele nasceu, parei de lecionar durante 5 anos. Em 1980, nossa família se mudou para a casa nova, aqui em Paverama, e recebi o convite para assumir a direção da Casa da Criança, do Centro, com 127 crianças, de 2 a 6 anos de idade, além de 13 funcionários. Depois de alguns anos, retornei para a sala de aula, que era o meu desejo. Em 1996, assumi na Escola Municipal São José de Santa Manuela. Foi lá que iniciei o resgate histórico de Paverama.

Quantos livros a senhora já escreveu?

Nair São três: “Paverama Ontem e Hoje”, “Paverama Ontem e Hoje II” e “Um olhar do Papa para os jovens”. Além desses, atuei como coautora no livro “A saga das famílias Collischon, Schreiner e Jantsch”, que foi lançado no último sábado, 23 de agosto, no auditório da Sicredi, em Teutônia, através do Centro de Apoio a Pesquisas e Encontros Familiares (Capef). Estou no rascunho de uma outra publicação, que conta a história da Comunidade Católica Nossa Senhora do Rosário, aqui de Paverama. E depois já tenho outros planos: pretendo contar como foi a minha viagem para a Terra Santa, em 2015, e, no futuro talvez contar a história da família. Não vou parar de escrever, porque gosto muito disso. Mas tenho outros hobbies: além de ser uma leitora assídua, atualmente trabalho com pinturas e artesanato em geral. 

Qual a importância de escrever?

Nair Procurei contar um pouco de tudo o que lembrei desde antes de Paverama ser município e também o que aconteceu depois. O objetivo é não perder a história. A maioria não quer registrar a história, falar com as pessoas mais velhas, que sabem, pesquisar em livros para aprender e descobrir. Não tenho tudo nos livros, mas uma boa parte eu já coloquei. Porém, tenho muita coisa ainda e pretendo contar mais histórias, em forma de livros, no futuro. Fico muito contente quando as pessoas lembram histórias antigas. Tudo o que vivi, desde criança, tem muito valor. A história nunca termina.

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