Apesar do conflito estar acontecendo a milhares de quilômetros do Brasil, o impacto das guerras, especialmente o agravamento dos conflitos no Oriente Médio, envolvendo principalmente Irã, Israel e EUA, além de outros países daquela região, em março deste ano, tem gerado efeitos diretos e indiretos no agronegócio brasileiro, oscilando entre o aumento nos custos de produção e oportunidades de mercado.
Por ser uma região responsável pelo fornecimento de grande percentual de petróleo consumido no mundo, qualquer movimento impacta diretamente no custo de produção e logística no agro do Brasil.
O principal temor do setor é a alta do barril de petróleo, que já está em ascensão, encarecendo o diesel usado no transporte de safras e operação de máquinas agrícolas – impacto direto no custo de produção no Brasil.
Além disso, o Brasil depende de importações de insumos, e o Irã é fornecedor relevante, enviando cerca de 7 milhões de toneladas todos os anos. Com os bloqueios logísticos no Golfo Pérsico acontecendo, preços de adubos serão elevados.
A Proteína Animal muito provavelmente sofrerá impactos: o Oriente Médio absorve cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango. Com a guerra, já tem incertezas sobre o cumprimento dos contratos e a segurança das rotas marítimas. O milho, por ser uma das commodities mais vulneráveis, poderá ter oscilação do seu preço e demanda devido ao cenário de instabilidade global.
Paralelamente, tensões entre potências diretamente envolvidas podem favorecer o Brasil no comércio exterior, ocupando o espaço deixado, por exemplo, pelos produtos norte-americanos no mercado chinês. Dólar sofre impacto direto: embora favoreça a receita das exportações, também encarece os insumos para a próxima safra, que são indexados à moeda.

O Brasil não é autossuficiente em produção de petróleo?
Na produção de petróleo bruto sim, mas no refino e na produção de derivados, como diesel e gasolina, não! Exportamos grandes volumes de óleo cru e, ao mesmo tempo, importamos para abastecer o mercado interno de combustíveis.
O Brasil até produz mais petróleo do que consome; em novembro de 2025, a extração atingiu 3,773 milhões de barris por dia. O país é o 8º maior produtor do mundo gerando US$ 42,8 bilhões em 2024 em exportação.
Mas existe déficit no refino: a capacidade de refino das unidades nacionais está estagnada em cerca de 2,3 milhões de barris por dia desde 2015. Como a demanda interna por combustíveis é maior que essa capacidade, o país precisa importar. Grande parte do petróleo extraído no pré-sal é do tipo pesado, enquanto as refinarias brasileiras, em sua maioria construídas na década de 70, foram projetadas para processar petróleo leve – importamos cerca de 25% do diesel e aproximadamente 4% da gasolina.

Segurança alimentar
Se estivéssemos melhor organizados, na infraestrutura, tecnologia e fornecimento de energia a partir de riquezas naturais, seríamos uma potência mundial. Em tempos de conflito mundial, o Brasil se posiciona como um fornecedor estratégico para países que buscam garantir estoques essenciais de alimentos.

RÁPIDAS
Ganhos, perdas e perspectivas futuras!
• Em algumas praças, o “efeito guerra” e o câmbio adicionaram até R$ 4,50 ao valor da saca de milho, incentivando a comercialização por parte dos produtores.
• O milho também pegou carona na alta do dólar, +2,14% em uma semana, o que ajudou a manter as cotações firmes no mercado físico brasileiro.
• Mercado físico em Paranaguá – cotado em torno de R$ 66,63 por saca de milho; contratos para maio/2026 operam já em alta, próximos a R$ 74,83.
• ALERTA: A Petrobras projeta autossuficiência em óleo diesel por volta de 2029, dependendo de novos investimentos em modernização de refinarias. Risco de Longo Prazo: há alertas de que, se novas reservas não forem exploradas, o Brasil pode voltar a ser um importador de petróleo bruto por volta de 2034 devido ao declínio natural dos campos atuais.
