O comerciante e atacadista Carlos Schilling, em 1858, fundou a Colônia Particular de Teutônia, no sul do Brasil. O audacioso empreendimento, pertencente à Empresa Colonizadora Carlos Schilling, Lothar de la Rue, Jacob Rech, Guilherme Kopp & Companhia, tinha como objetivo criar uma colônia para imigrantes germânicos (de confessionalidade luterana).
O território teutoniense, pelo medidor e sócio Lothar de la Rue, foi dividido em 600 prazos coloniais, com superfície variável de 30 mil a 200 mil braças quadradas. Entre as denominações cogitadas — Boa Esperança, Luterânia, Germânia, Nova Alemanha e Nova Prússia — foi escolhido o afamado e encantador nome Teutônia para a povoação.
Segundo o historiador Guido Lang, a companhia encarregou-se unicamente da divisão da área em lotes e abriu algumas picadas (trilhas — posteriores estradas gerais) para a demarcação dos prazos. A árdua tarefa de edificação de escolas, igrejas e sociedades ficou a cargo dos colonos, que compraram as propriedades.
O nome “Teutônia” é uma homenagem à tribo dos teutões, povo importante da antiguidade europeia. Os teutões foram um dos grupos que habitaram o norte e o centro da Europa antes da era cristã, nas terras hoje correspondentes à Alemanha, Dinamarca e Países Baixos (Holanda).
Por volta do século II a.C., junto aos cimbros, migraram rumo ao sul e enfrentaram as legiões romanas, sendo derrotados em Águas Sêxtias (102 a.C.) e Vercellae (101 a.C.). Após essas derrotas, desapareceram como povo independente, provavelmente absorvidos por outros clãs germânicos.
Embora sua existência como tribo tenha cessado, os teutões deixaram um importante legado cultural e simbólico na região. A palavra “teutão” passou a representar, em muitos contextos, a bravura, o espírito guerreiro e a força dos povos germânicos. Na Idade Média, o nome inspirou a “Ordem Teutônica”, organização militar e religiosa de destaque nas Cruzadas.
Ao escolher o nome Teutônia, os fundadores buscavam resgatar essa herança, enaltecendo as raízes históricas dos imigrantes e o orgulho de fazer parte de uma cultura aguerrida, disciplinada e trabalhadora.
Deste modo, o nome da municipalidade, no Vale do Taquari, não é fruto do acaso. Ele conecta, de forma simbólica, a bravura de um povo antigo — os teutões — com a determinação da descendência germânica, que transformou as baixadas, colinas e matas do interior gaúcho num modelo de desenvolvimento, progresso e trabalho.