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VISÃO DE NEGÓCIO

O pêndulo das marcas: da ostentação à confiança como ativo estratégico

Opinião de Camila Brunetto, advogada especialista em Propriedade Intelectual

18/12/2025 | 10:19

Por muito tempo, o pêndulo do mercado de marcas e posicionamento esteve inclinado para o lado da ostentação. A lógica era aparecer mais, prometer mais, exibir mais. Influência vazia, métricas infladas e discursos sedutores dominaram o espaço, criando a ilusão de autoridade e sucesso rápido.

Mas como todo pêndulo, o excesso gerou desequilíbrio. E agora ele começa a se mover para o lado oposto. O ano de 2026 consolida essa virada. O mercado passa a valorizar algo muito mais sólido do que visibilidade: a confiança. 

Não se trata mais apenas de estar presente, mas de sustentar uma reputação consistente ao longo do tempo. Likes já não significam credibilidade, e alcance não garante autoridade. O que realmente diferencia uma marca hoje é sua capacidade de gerar segurança. As marcas que se destacam são aquelas que transmitem previsibilidade, coerência e responsabilidade. 

O consumidor, e especialmente o empresário, está mais atento ao histórico, à postura, à clareza na comunicação e à forma como a empresa se posiciona diante de riscos e decisões difíceis. A reputação deixa de ser consequência e passa a ser estratégia. Nesse contexto, ganha força o marketing de confiança, em que a marca assume o papel de guia. Em vez de vender ilusões, educa. Em vez de prometer atalhos, explica processos. Empresas e profissionais que adotam essa postura constroem relações mais duradouras, atraem clientes mais conscientes e fortalecem sua imagem institucional. 

Quem protege o cliente gera valor real. Essa mudança é ainda mais evidente em mercados de serviços, como advocacia, saúde, educação e consultoria. Nesses setores, técnica, ética e transparência deixam de ser apenas obrigações e passam a ser diferenciais competitivos. O público quer saber como a empresa atua, quais são seus limites e quais consequências existem quando decisões são tomadas sem planejamento.

É nesse ponto que a segurança jurídica no registro de marca assume papel central. Em 2026, marca não é apenas identidade visual ou posicionamento de marketing, é patrimônio. Empresas que crescem sem proteger juridicamente seu nome assumem riscos elevados, como disputas, notificações, prejuízos financeiros e danos à reputação. Poucas situações corroem tanto a confiança do mercado quanto um conflito público envolvendo o direito de uso de uma marca.

Registrar uma marca é uma decisão estratégica. Significa garantir exclusividade, previsibilidade e tranquilidade para investir, comunicar e expandir. Mais do que uma formalidade, o registro demonstra maturidade empresarial e compromisso com o futuro do negócio.

O pêndulo mudou de lado. As marcas fortes do próximo ciclo serão aquelas que unem posicionamento sólido, reputação construída com consistência e base jurídica segura. Em um mercado mais atento e exigente, confiança não se improvisa. Ela se constrói, se protege e se sustenta.

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