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VISÃO DE NEGÓCIO

O que o recorde de pedidos de registro de marca mostra sobre o mercado?

Opinião de Camila Brunetto, Advogada especialista em Propriedade Intelectual

20/02/2026 | 16:31

Em 2025, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) registrou um novo recorde no número de pedidos de registro de marcas, patentes e demais ativos de propriedade intelectual. O dado, que consolida uma tendência de crescimento observada nos últimos anos, revela muito mais do que números expressivos: ele reflete uma mudança de mentalidade no mercado.

O aumento nos depósitos demonstra que empresários, startups, criadores de conteúdo e indústrias passaram a compreender que marca, tecnologia e inovação não são apenas diferenciais competitivos, mas ativos estratégicos. Em um cenário de alta concorrência e transformação digital acelerada, proteger a identidade do negócio e suas criações tornou-se uma necessidade básica para quem deseja crescer com segurança.

No campo das marcas, o recorde indica um ambiente de forte movimentação empresarial. Cada novo CNPJ que nasce competitivo precisa de um nome exclusivo e juridicamente protegido. A formalização da marca deixou de ser vista como burocracia e passou a ser encarada como investimento. Já no setor de patentes, o aumento dos pedidos evidencia um ecossistema mais inovador, com empresas buscando resguardar tecnologias próprias e garantir vantagem no mercado.

O impacto desse crescimento é significativo. Em primeiro lugar, há um fortalecimento do ambiente de negócios, pois a proteção adequada reduz conflitos, litígios e insegurança jurídica. Em segundo, estimula-se a inovação, porque quando o empreendedor sabe que sua criação pode ser protegida, ele se sente mais seguro para investir tempo e recursos em pesquisa e desenvolvimento.

Por outro lado, o recorde também traz desafios. O volume elevado de pedidos exige eficiência administrativa e atenção redobrada dos depositantes quanto à estratégia de proteção. Um protocolo feito sem análise técnica adequada pode resultar em indeferimentos, oposições ou até perda de exclusividade.

Para o mercado, o cenário é claro. A propriedade intelectual deixou de ser assunto restrito a grandes corporações e passou a integrar a rotina de pequenas e médias empresas. A consolidação desse movimento em 2025 sinaliza maturidade empresarial e aponta para um Brasil cada vez mais consciente do valor econômico de seus ativos intangíveis.

O recorde no INPI não representa apenas crescimento estatístico, mas um mercado que entende que proteger é tão importante quanto criar.

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