Quem é nascido antes de 1990, deve lembrar muito bem que umas das formas mais comuns de se divertir, de socializar, de sair de casa no fim de semana, até de namorar, eram os bailes. Mas o que eram esses bailes? Muitos jovens devem se perguntar: o que era isso?
Os bailes eram uma promoção de um grupo de pessoas, de uma sociedade, ou até de uma pessoa só, que possuíam um salão, um pavilhão, próprio ou alugado. Então, se contratava uma banda de baile, um conjunto musical, uma orquestra, para animar uma noitada, de 4 a 5 horas de música. Era estipulada uma data e assim seguia a divulgação desse evento, com cartazes espalhados em vários locais estratégicos, com inserções nas rádios e até em jornais. Nas rodas de amigos, o assunto vinha com força, programando-se como chegariam lá no dia, se por carona, se por ônibus, que eram contratados para recolher as pessoas que moravam nas redondezas, visto que poucos tinham seus próprios carros e motos. Geralmente, os bailes começavam por volta das 23h e iam até 4h da madrugada: eram cinco horas de muita música, dança, diversão, folia, cerveja, refri, água, pastel, etc.
As bandas e os conjuntos eram de estilo variado, mas, nas décadas de 80, 90 e 2000, o pop rock nacional e internacional dominava o repertório da noite.
E o conjunto que mais caixas de som trazia para o salão, era o que mais se destacava, geralmente pela potência do som. No fim do baile, na saída, os ouvidos ficavam zunindo por duas a três horas, de tanto volume que o técnico de som imprimia em toda aquela parafernalha. Também o show de luzes era uma atração à parte das bandas maiores, pois o ambiente era sempre escuro e só se via os feixes de luzes da banda se destacando naquela penumbra, que propiciava aos casais mais apaixonados uma boa interação.
Nas décadas acima mencionadas, houve um grande boom de bailes, de eventos, promovidos tanto por comunidades, como também por donos de salões particulares. E certos fins de semana, chegava a ter de 8 a 10 bailões para escolher, numa região, entre sexta, sábado e domingo, fazendo com que alguns até se aventurassem a ir em dois na mesma noite. Era diversão na certa. Bastava só ter condições financeiras. Muitos juntavam uma grana durante a semana para poder peregrinar nos bailes no fim de semana. Bons tempos que talvez não voltem mais, mas que fazem a gente, que é daquela época, sentir uma certa nostalgia.
Hoje, os filmes nos canais de streaming, o conforto do lar, as comidas por delivery, o acesso fácil a qualquer música em qualquer aplicativo e mídia, contextualizam a derrocada dos bailes. É uma pena? Não sei, mas que bateu a saudade, bateu!