O Evangelho de Lucas escreve sobre Jesus com mais de 30 anos, adulto, agindo no poder do Espírito Santo e consciente de sua autoridade. Manifesta aos ouvintes que nEle acontece o cumprimento da Escritura. O povo o reconheceu, se maravilhou com suas palavras, mas se perguntava: “não é este o filho de José, aquele carpinteiro, e acha que se cumprirá nele a profecia anunciada pelo profeta Isaias?”
Diante de seus questionamentos, os nazarenos instigaram Jesus para que curasse todos os doentes ao seu redor, mas Jesus não iria banalizar as curas e nem aceitar as provocações. Lamentavelmente, os habitantes de Nazaré, não foram abençoados pelo Messias, pois o trataram com desdém, não o respeitaram, e até para Ele serviu o velho ditado: “Santo de casa não faz milagre”. A desconsideração deixou os nazarenos surdos, indiferentes e insensíveis, se enfureceram, querendo linchar Jesus. O levaram até o alto de um momento com o propósito de jogá-lo para baixo, perderam a razão. Jesus conseguiu escapar, pois sua missão, de levar a boa nova de Deus para os seres humanos, estava apenas começando.
Para entendermos o que Deus em Cristo fez por nós, faço a seguinte pergunta: quem já observou as formigas, como elas trabalham? Ouçam uma pequena estória: Num grande formigueiro, uma pessoa observava as formigas buscando comida em meio a latas de veneno. Porém, como alertar as formigas do risco que estavam correndo? Falar alto, fazer barulho, nada faria com que as elas entendessem o que ela queria dizer. Depois de muito pensar, conclui que havia apenas uma possibilidade: se tornar uma formiga. E, assim, ele virou uma formiga e mostrou que o caminho em que andavam as levaria à morte. Orientou-as a buscar comida em outra trilha. Assim, tornando-se uma formiga, salvou-as da destruição.
Mudando os personagens de nossa estória, Deus é aquele que observa o formigueiro – e as formigas somos nós. Deus se fez gente para que os seres humanos entendessem, ouvissem o seu chamado e aceitassem o propósito da sua criação e a nossa salvação. Por isso, ouvir é reconhecer.
Pastora Margane Beatriz de Vargas, da Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de Roca Sales