A tensão geopolítica no Oriente Médio provocou, nos últimos dias, o aumento do valor do barril de petróleo e impactou o mercado de importação de Diesel. A disparada dos preços no mercado internacional se deu após o fechamento do Estreito de Ormuz, no Irã, região por onde passa 20% da produção mundial. Ataques a refinarias e outras bases produtores pioraram o cenário, com redução em países como Emirados Árabes Unidos e Kuwait.
O agravamento do conflito gera reflexos em nível global. No Rio Grande do Sul, a escassez do diesel foi inicialmente relatada por produtores rurais. Neste início de semana, os relatos começaram a chegar nos postos. No Vale do Taquari e outras regiões, estabelecimentos alegam dificuldades para obtenção do combustível, assim como a gasolina.
Nesse sentido, a principal alegação é de que as distribuidoras não estariam fornecendo a quantidade solicitada. Além disso, haveria prioridade para estabelecimentos com contrato. Conforme apurado pelo Informativo Regional na manhã desta terça-feira, 10, ao menos dois pontos de Teutônia limitaram, temporariamente, o abastecimento a R$ 100 por cliente. A medida foi adotada por cautela em razão do cenário incerto.
Entidade que representa as revendas, a SulPetro alega se tratar de “casos pontuais”, sem risco de desabastecimento. Já a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis emitiu uma nota, na qual desmentiu os rumores de crise. Também prometeu investigação sobre possíveis irregularidades no fornecimento ou eventuais aumentos injustificados de valores:
Ao longo do fim de e semana (7 e 8/3), a Agência entrou em contato com os principais fornecedores da região e apurou que o Estado do Rio Grande do Sul conta com estoques suficientes para assegurar o abastecimento regular de diesel. A produção e a entrega do combustível seguem em ritmo regular pelo principal fornecedor da região (Refinaria Alberto Pasqualini – Refap).
Equipes técnicas da ANP estão realizando verificação das instalações e operações relevantes. As distribuidoras serão formalmente notificadas para que prestem os devidos esclarecimentos à ANP sobre a volume em estoque, os pedidos recebidos e os pedidos efetivamente aceitos. Caso seja necessário, a Agência está preparada para adotar todas as medidas cabíveis a fim de assegurar a continuidade e a normalidade da oferta de diesel no país.
Cabe destacar que o Rio Grande do Sul é um estado que produz mais diesel do que consome, encontra-se com nível de estoque regular e não foram constatadas justificativas técnicas ou operacionais que expliquem uma eventual recusa no fornecimento do produto. Além disso, informamos que aumentos de preços injustificados no estado também serão objeto de investigação da ANP em conjunto com órgãos de defesa do consumidor.
Em nota, a Petrobras afirmou que não houve qualquer alteração no âmbito das entregas de diesel por suas refinarias e “no Rio Grande do Sul, estão ocorrendo dentro do volume programado”.