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LEGADOS CULTURAIS

Precisamos de professores

Opinião de Everton Augustin, professor e gestor escolar

26/02/2026 | 11:33

A chamada do título parece ser extraída do perfil de alguma escola atual. Ela, no entanto, já era a realidade da colônia alemã como um todo. Os imigrantes, em sua grande maioria, ao emigrarem para o Brasil, traziam na bagagem a cultura da escola instituída. Isso foi resultado da batalha de um monge agostiniano que, no século XVI, entendia que seus fiéis deveriam ter acesso às sagradas escrituras, poder lê-las e compreendê-las. Para isso eram necessárias escolas para meninos e para meninas, uma ruptura para a época em que os mosteiros e conventos eram espaço de educação ou de meninos ou de meninas. Do ponto de vista didático, Luther, o monge agostiniano, preconizava o uso de jogos, música e idiomas no currículo. Ele abominava a decoreba insensata de declinações gregas e latinas. Era preferível que os idiomas fossem aplicados a descrever algo que tivesse significado para as crianças. Com um empurrãozinho de Gutenberg, que desenvolveu a imprensa, a Bíblia, traduzida para o alemão, foi um sucesso. Essa marca cultural contribuiu para o desenvolvimento de uma sociedade que coloca a Escola no topo de sua escala de valores.

Essa foi a cultura instalada nas comunidades alemãs, que buscavam uma vida melhor nos rincões desse Brasil. A igreja católica já estava estruturada no Brasil e tinha sua formação docente. O Brasil era oficialmente católico. Nas comunidades luteranas, a escassez de professores era marcante. Havia poucos professores entre os imigrantes. Por isso, muitas vezes, o mais letrado era indicado pela comunidade para assumir a escola local. Eram classes multisseriadas, geralmente do primeiro ao quarto ano. Saber ler, escrever e calcular eram requisitos básicos para que uma pessoa pudesse integrar as ações da sociedade.

A primeira escola de formação docente luterana no Brasil, o Lehreseminar (Seminário de Formação Docente), iniciou suas atividades no dia 4 de abril de 1909, quase um século após o início oficial da imigração alemã ao Brasil.  Foi de suma importância o empenho do pastor Wilhelm Rotermund, fundador da Editora Rotermund, que se dedicou a produzir também material didático como subsídio para as tantas escolas comunitárias mantidas geralmente pelas comunidades eclesiásticas. 

O Lehrerseminar está vivo com o nome de Instituto Ivoti. Tendo iniciado em Taquari, passou por Santa Cruz do Sul e São Leopoldo. Em Ivoti, são formados professores em nível médio (Curso Normal) e superior (Faculdade Instituto Ivoti). Bons professores são fundamentais.

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