Pedro passou por uma experiência que marcou profundamente a sua vida. Ele, Tiago e João, acompanharam Jesus até o alto de um monte. De alguma forma esses três discípulos, naquela oportunidade, viram algo diferente em Jesus: “O seu rosto resplandecia como o sol, e as suas roupas se tornaram brancas como a luz.” (Mateus 17.2) Trata-se da transfiguração de Jesus (“metamorfose”, no original grego”). Foi uma experiência fantástica!
Ela marcou tanto a vida de Pedro que ele a menciona em 2 Pedro 1.16-21, para explicar as razões para ouvir o que Jesus tem a nos dizer. Aliás, no alto daquele monte, vinda do meio de uma nuvem, uma voz disse: “Este é o meu filho amado, em quem me agrado; escutem o que ele diz.” (Mt 17.5)
Pedro entende, primeiramente, que o anúncio do Evangelho de Jesus Cristo não se baseia em “fábulas engenhosamente inventadas”. Pelo contrário, o poder e a vinda de Jesus se revelaram em uma experiência sensorial: “Nós fomos testemunhas oculares da sua majestade” (2 Pe 1.16) Estávamos lá com ele no monte. Vimos o que aconteceu e ouvimos a voz que veio do meio da nuvem. Fé cristã nasce, primeiramente, de uma experiência sensorial, presencial. Ela é passada adiante através do testemunho de quem a experimentou.
Em segundo lugar, trata de uma experiência coletiva: “nós”. Por trás dessa primeira pessoa do plural está uma comunidade. Naturalmente todos nós temos as nossas experiências pessoais. São importantes. No entanto, elas não podem ser o único critério. A fé cristã valoriza a experiência compartilhada e o testemunho coletivo. Comunidade é o lugar onde confrontamos nossas experiências de fé e amadurecemos o nosso conhecimento “sobre o poder e a vinda do nosso Senhor Jesus Cristo”.
Em terceiro lugar, a voz de Jesus Cristo “é como uma luz que brilha em lugar escuro, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça no coração de vocês.” (2 Pe 1.19) Pedro valoriza a palavra de Deus que se expressou pela boca de tantos profetas no passado: “vocês fazem bem em dar atenção a ela”. Ele coloca as palavras de Jesus nessa tradição. Acrescenta que a interpretação não é pessoal, no sentido do esforço humano, sua razão e conhecimento, mas resultado da presença do Espírito Santo de Deus. É ele que promove a experiência, motiva ao anúncio e desperta a fé no coração das pessoas, em momento oportuno.