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ANTES DA EMANCIPAÇÃO

Registros revelam celebrações da antiga Colônia Teutônia

Mesmo com três distritos bem definidos, região já esboçava indícios de unidade durante a década de 1950. Festividades também ocorriam em maio

Por: Marco Mallmann

16/05/2026 | 11:00
Ao todo, 60 músicos, representando os distritos de Canabarro, Languiru e Teutônia, animaram o evento do 1º Centenário da Colônia Teutônia. Norberto Grave, é o primeiro gaiteiro na segunda fila, posicionado da direita para a esquerda na foto. Fotos: João André Mallmann/Jam Brasil/Acervo Digital/Divulgação
Ao todo, 60 músicos, representando os distritos de Canabarro, Languiru e Teutônia, animaram o evento do 1º Centenário da Colônia Teutônia. Norberto Grave, é o primeiro gaiteiro na segunda fila, posicionado da direita para a esquerda na foto. Fotos: João André Mallmann/Jam Brasil/Acervo Digital/Divulgação

No dia 24 de maio, Teutônia completa 45 anos de emancipação político-administrativa, no plebiscito com a vitória do “Sim” no ano de 1981. Era a concretização do sonho de diversas lideranças, que haviam feito iniciativas anteriores, porém sem sucesso, devido, principalmente, a divergências entre os representantes dos distritos de Canabarro, Languiru e Teutônia.

No entanto, a unidade geográfica da Colônia Teutônia ainda nos primórdios da colonização, na parte leste do município de Estrela, já era um sinal de que a região tinha um forte potencial para se emancipar.
Em 18 de maio de 1958 foi comemorado o 1º Centenário da Colônia Teutônia. O folheto de divulgação, reproduzido na página do Facebook Jam Brasil, do pesquisador e historiador João André Mallmann, de Estrela, detalha a programação do evento, cujos festejos tiveram abertura oficial em Canabarro, onde a colonização teve origem.

Entre outras autoridades, se fez presente o governador Ildo Meneghetti. Uma das atrações foi a apresentação do conjunto musical composto por 60 músicos, representando os grupos Jazz Não Nega, Jazz Primavera, Jazz Flor de Maio, Jazz Colonial e Jazz Vitória, integrando os três distritos, sob a batuta do maestro Adolfo Ziebell.

O repertório da apresentação incluiu músicas do tempo da colonização. Em homenagem ao governador, que foi conduzido ao centro de onde os músicos se posicionaram, foi executada a valsa “Almerinda”. No final, os músicos receberam um aplauso entusiasmado dos presentes e os cumprimentos do governador. “Lembro bem desse dia. Foi um grande sucesso e também uma grande alegria e emoção poder tocar para a autoridade máxima do nosso estado”, recorda o acordeonista Norberto Grave, prestes a completar 94 anos, e que na época, aos 25, integrava o Jazz Não Nega.

O nome “Jazz” era comum na música alemã da época, trazendo referências da República de Weimar, nome dado ao regime democrático instaurado na Alemanha depois da Primeira Guerra Mundial. A palavra não se referia apenas ao gênero musical, mas funcionava como um termo genérico para música moderna de dança, ritmos sincopados e um estilo de vida acelerado e internacional.

Também estiveram presentes o presidente da Assembleia Legislativa, Adalmiro Moura, os deputados Arno Arnt, Norberto Schmidt e Antônio Fornari, os prefeitos de Estrela, Lajeado, Arroio do Meio e Taquari, diversos pastores luteranos do Alto Taquari e representantes do Sínodo Riograndense, além da imprensa. O evento teve transmissão da Rádio Alto Taquari, de Estrela.

A sequência das celebrações do 1º Centenário foram marcadas ainda por culto campal, encontro de corais e concentrações escolares nos meses de junho e agosto, em Languiru, e coroação das atividades esportivas e culturais no mês de setembro, em Teutônia. As festividades foram dirigidas pelos membros da Comissão Distrital de Languiru, composta pelo presidente Werno Dreyer e pelo secretário Milton Schneider.

Folheto de divulgação da programação festiva realizada em 18 de maio de 1958.

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