O Rio Grande do Sul deve produzir 38,9 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, crescimento de 8,4% em relação ao ciclo anterior. A área plantada está estimada em 10,3 milhões de hectares, o que representa redução de 2,8%. Os dados constam no 5º Levantamento da Safra, divulgado nesta quinta-feira,12, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O Estado mantém a posição de terceiro maior produtor de grãos do país, atrás de Mato Grosso e Paraná. Mesmo com a segunda maior área plantada do Brasil, o desempenho gaúcho segue impactado por episódios recorrentes de instabilidade climática.
De acordo com o presidente da Conab, Edegar Pretto, o resultado reforça a relevância do Estado no abastecimento nacional. Ele destacou que, apesar dos desafios climáticos enfrentados nos últimos anos, os produtores têm demonstrado capacidade de recuperação, planejamento e adaptação.
No cenário nacional, a produção brasileira de grãos está estimada em 353,4 milhões de toneladas, aumento de 0,3% em relação à safra anterior, o equivalente a 1,1 milhão de toneladas adicionais. O crescimento é atribuído principalmente ao avanço da soja, do sorgo e do milho 1ª safra, além da expansão de 1,9% na área plantada.
A Conab aponta que condições climáticas mais estáveis, sem a presença de La Niña de forte intensidade, contribuíram para o resultado, embora haja registros pontuais de eventos adversos e preocupação com custos de produção e renda do produtor.
Soja
Principal cultura do Estado, a soja deve ocupar 6,8 milhões de hectares, redução de 3,7% na área plantada em comparação à safra passada. A produção está estimada em 21,4 milhões de toneladas, alta de 28,7%, impulsionada pela recuperação da produtividade, projetada em 3.129 quilos por hectare. A semeadura alcançou 99% da área prevista.
Arroz e milho
A área destinada ao arroz irrigado foi estimada em 905,2 mil hectares, queda de 6,5%. A produção deve atingir 7,5 milhões de toneladas, redução de 13,6%. A semeadura foi concluída em 100% da área. Ao final de janeiro, cerca de 7% das lavouras estavam em fase de enchimento de grãos, 38% em florescimento e 55% em desenvolvimento vegetativo.
O milho 1ª safra apresentou crescimento de 14,2% na área, estimada em 817,1 mil hectares. A produção está projetada em 5,4 milhões de toneladas. A semeadura atingiu 98% da área prevista e, ao final de janeiro, a colheita já alcançava 33% da área cultivada.
Feijão
Considerando a 1ª e a 2ª safras, o feijão (preto e cores) deve ocupar 43,9 mil hectares no Estado, com produção estimada em 73,6 mil toneladas. Na 1ª safra, a área foi estimada em 25,1 mil hectares, retração de 7,4%, com produção prevista de 44,6 mil toneladas, queda de 12,2%. Já a 2ª safra apresenta expansão, com área estimada em 18,8 mil hectares, alta de 22,9%, e produção projetada em 28,9 mil toneladas, crescimento de 27,3%.
Culturas de inverno
Entre as culturas de inverno, as primeiras estimativas indicam redução na área e na produção de trigo em 2026. A cultura deve ocupar 1,04 milhão de hectares, retração de 10,3%, com produção estimada em 3,03 milhões de toneladas, queda de 15,3% em relação ao ciclo anterior.
A aveia apresenta área estimada em 372,1 mil hectares, redução de 7,4%, e produção prevista de 869,2 mil toneladas, queda de 11,8%. Na cevada, a área deve crescer 9,9%, alcançando 34,5 mil hectares, enquanto a produção está estimada em 101,7 mil toneladas, redução de 7,7%.
A canola registra expansão de 30,4% na área cultivada, totalizando 273,7 mil hectares. A produção está estimada em 443,1 mil toneladas, alta de 30,2%, consolidando-se como alternativa de diversificação e renda no Estado.