Natural de Pelotas, o clínico geral Humberto de Alencar Oliveira da Costa completa 56 anos no dia 19 de fevereiro. Na rede La Salle, cursou o Ensino Fundamental, onde foi o melhor aluno, e o Ensino Médio (2º Grau) com bolsa de estudos por mérito. Formado em medicina pela Ufpel em 1989, considera que ser médico foi “uma vocação, um chamado”. Com mais de 30 anos de atuação, incluindo a residência médica, hoje trabalha no Setor de Infectologia do município, também como médico do trabalho na Piccadilly e em seu consultório particular. Recebeu, em 2012, por iniciativa da então vereadora Eni Wiebusch, em nome do Legislativo e do Executivo, o título de Cidadão Teutoniense.
Como foi seu período de estudo para se tornar médico?
Dr. Humberto – Eu sempre tive preocupação para saber que tipo de profissional eu iria ser? Como iria me virar se fosse morar numa cidade pequena? Eu sabia que teria que resolver os problemas, pois não teria o suporte de um hospital maior. Então, me dediquei a aprender muito da parte técnica durante o curso, mas muito da prática eu aprendi no dia-a-dia, na dedicação dentro dos hospitais, durante a minha vida acadêmica. Eu fazia muitos estágios para aprender o máximo que pudesse. Fiz muitas horas de pronto socorro, acompanhando a emergência, para saber como atender nesses casos, saber manejar pacientes graves. Eu não queria ser somente bom tecnicamente, mas queria saber também na prática. Quando terminei o curso, entrei para a residência médica. Eu poderia entrar em qualquer área, tenho mais de 1,1 mil horas em sala de parto, então poderia ser obstetra ou cirurgião, mas optei pela clínica. Ser clínico nunca foi minha opção, e sim minha vocação. Outra coisa que eu aprendi é que se eu soubesse manejar um paciente grave, um caso perdido, eu seria um grande médico e poderia atender na escala de alta complexidade.
Como surgiu a oportunidade de vir atuar em Teutônia?
Dr. Humberto – Foi em 1998. Conheci a Marlene Metz e eles queriam que eu assumisse o Hospital Redentor, no Bairro Canabarro. Foi muito desafiador sair de uma cidade grande, de uma universidade e de um hospital com 200 leitos para um hospital com 30 leitos, sem UTI e sem Raio-X. Mas eu também queria morar numa cidade pequena, onde eu pudesse levar uma vida mais tranquila. Então, recém casado, vim me estabelecer aqui. Foi muito bacana a forma como as pessoas me acolheram. Elas sabiam que eu era um médico bom e que era preciso reter este talento. Foi um esforço enorme de toda a comunidade para me acolher, me oferecer condições.
Como foi a transição do Hospital Redentor para o Hospital Ouro Branco (HOB)?
Dr. Humberto – Em 2004, um ano de grande transição, o HOB ficou mal financeiramente e houve uma pressão grande sobre a prefeitura. Eu era presidente do Conselho Municipal de Saúde e havia muita disputa por recursos entre as duas casas de saúde. O Redentor fechou em 30 de março – inclusive o último parto realizado foi o da minha filha, Marina, em 6 de março de 2004. Em abril, iniciei no HOB e também foi muito desafiador. Tivemos que remontar toda a emergência com a equipe de trabalho que atuava na época. Montamos uma estrutura SUS e fomos equipando o HOB até o ano em que eu saí da direção técnica, em 2019, na troca de gestão. Lá eu também fiz de tudo, atuei em diversas áreas. Ambos os hospitais sempre tiveram uma grande atenção com a comunidade, um atendimento muito humanizado, sem medir esforços para salvar vidas. O grande desafio de uma estrutura hospitalar é internar pacientes com uma complexidade maior do que a tua competência, dos recursos que tens à disposição.
A pandemia de covid-19 foi o principal desafio que enfrentaste?
Dr. Humberto – Sim. Formamos o Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus. Tínhamos reuniões diárias com diversas ações e planejamentos para prever todas as estratégias possíveis, porque estávamos lidando com algo que não tínhamos conhecimento. Chegamos a montar um hospital de campanha aqui no pavilhão da Comunidade Redentor, com tudo o que era necessário. Havia previsão de um caos, mas não houve necessidade de utilizar esse espaço. Foi um aprendizado, pois no meio de uma situação grave em nível mundial foram tomadas decisões, como o lockdown, no sentido de proteger a população. Mesmo assim, aqui em Teutônia perdemos 100 pessoas. O que arrefeceu a pandemia foi a campanha de vacinação em massa. Se a gente olhar os números do antes e do depois das vacinas, o resultado é evidente.
Qual é o teu sentimento hoje, completando 28 anos de atuação em Teutônia?
Dr. Humberto – O meu sentimento maior é de gratidão a Deus, à família, aos muitos amigos que fiz aqui e à toda população. Minha preocupação sempre foi o cuidado com o paciente. Acredito que Deus tem um propósito muito grande conosco; cabe a nós trabalhar internamente para compreender qual é e seguir este chamamento, mantendo-nos fiéis a ele. Assim nos tornamos um indivíduo, um irmão, um chefe de família, um trabalhador modelo, buscando continuamente evolução e crescimento, ancorado num aprendizado com nosso mestre, Jesus Cristo. Sendo assim, cumpriremos a pleno esse propósito, guiados e abençoados pelo nosso pai maior.