O professor e ex-diretor Everton Augustin tem 61 anos. Nasceu no Hospital 25 de Julho, de Poço das Antas, em 1965, quando a localidade ainda pertencia a Salvador do Sul. Possui uma vasta história de mais de 36 anos de dedicação ao ensino. Foi diretor nas escolas Humboldt, de São Paulo, e Instituto Ivoti, coordenador e vice-diretor no Colégio Cruzeiro, do Rio de Janeiro, e também teve passagens significativas por colégios dos Vales do Sinos e do Taquari. Mantém contato frequente com organizações alemãs, realiza palestras, produz artigos para veículos de comunicação e empreende no Sítio Timbaúva, em Linha Catarina, onde cultiva uvas e produz vinhos.
Onde foi tua formação?
Everton Augustin – Em 1979 ingressei no sistema Escola-Trabalho da então Escola Evangélica Ivoti. Naquele ano trabalhei em serviços gerais da escola e estudei, à noite, na Escola Estadual Professor Mathias Schütz, dirigida pelo professor teutoniense Nelson Bender (in memoriam) De 1980 a 1982 cursei o Tradutor Intérprete e Pré-Teológico no Instituto Ivoti, como hoje é chamada a Escola. Depois seguiu um período de oportunidades e de decisões. Entre Música, Administração e Teologia, decidi pelas Letras (Português e Alemão) e cursei de 1984 a 1987 o Instituto de Formação de Professores de Língua Alemã (IFPLA) Unisinos, em São Leopoldo.
Como foi teu início como professor?
Augustin – No meu último ano de faculdade, fui convidado a trabalhar no Colégio Sinodal de São Leopoldo, inicialmente lecionando a língua alemã e, na sequência, também a língua portuguesa. Formado em 1988, atuei até 1995 na Fundação Evangélica, em Novo Hamburgo, onde também tive muitos alunos de violino. Alguns deles têm hoje uma vida profissional destacada na música. De 1993 a 1994, num programa do Pädagogischer Austauschdienst – PAD (Serviço de Intercâmbio Pedagógico), atuei na escola alemã Kooperative Gesamtschule Schinkel, na cidade alemã de Osnabrück. No ano de 1997 atuei no Colégio Martin Luther, onde, juntamente com o colega professor Irineu Lasch, instituímos o curso técnico em Segurança no Trabalho. Nos dois anos seguintes, trabalhei no Colégio Evangélico Alberto Torres. Lá, além de coordenar os cursos técnicos, elaborar o jornal da instituição (Fala Ceat) e lecionar Português e Literatura, tive a oportunidade de estruturar o curso complementar de violino e reger o Conjunto Instrumental. Naqueles dois anos, criamos, em Lajeado, um trio (piano, violino e violoncelo) com o frei Leonardo Kuhn e com o professor Ingo Schreiner. Quando Cláudia Schreiner (flauta transversa) integrava o grupo, éramos um quarteto que transitava de Mozart a Beethoven e outros compositores mais contemporâneos.
Onde se deu tua atuação como diretor de escolas?
Augustin – Em agosto de 1998, fui convidado a atuar no renomado Colégio Cruzeiro, no Rio de Janeiro. Lá atuei como coordenador do Ensino Médio de 1999 a 2006. A partir daquele ano, atuei como vice-diretor da renomada instituição, criada em 1862 e uma das mais antigas escolas brasileiras no contexto de imigração alemã no Brasil. Em 2008 recebi o convite para dirigir o Colégio Humboldt – escola alemã de São Paulo. Essa instituição estreitou muito meu contato com o governo alemão, apoiador do Colégio, por meio da Zentralstelle für das Auslandschulwesen – ZfA (Departamento Central para Escolas no Exterior). Lá, minha rede de contatos se expandiu para 158 escolas alemãs no exterior, em todos os continentes. Em 2015, recebi o convite para dirigir o Instituto Ivoti, onde eu pude trabalhar nos serviços gerais e ser aluno do Tradutor Intérprete (TIPT) e Pré-Teológico. Assumi a direção geral – Educação Básica e Ensino Superior – em 2016. A ela me dediquei a partir daquele ano até o final de 2023, instituindo o currículo bilíngue (português e alemão), internacionalizando a atuação da escola e criando um ambiente compatível com a atualidade.
Exerceste outras funções na educação?
Augustin – Integrei o Conselho de Educação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB) e, atualmente, integro o Pacto pela Educação aqui no RS. Juntamente com representantes de outras escolas brasileiras, criei a Organização de Escolas Brasileiras com Ensino de Alemão (OEBEA), para a qual o apoio do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha foi fundamental. Nela atuei até a minha saída de Ivoti ao final de 2023. Desde 2017 sou membro nato do Ivoti 100, um movimento que quer inspirar o desenvolvimento daquele município para seus 100 anos de emancipação, em 2064.
Quais tuas atividades hoje?
Augustin – Realizo palestras no contexto da imigração alemã em organizações dos mais diferentes perfis. Os meus contatos com organizações alemãs permitem-me estabelecer vínculos com instituições brasileiras. Em 2024, foi a vez de encaminhar a Orquestra La Montanara, de Poço das Antas para o Hunsrück, na Alemanha. Na sequência, um grupo daquela região veio conhecer o Pequeno município do Vale do Taquari. Contribuo com jornais dos Vales do Taquari, Sinos, Paranhana e grande Porto Alegre, produzindo artigos que estão sempre intimamente ligados à educação.
Como surgiu a ideia de empreender no Sítio Timbaúva?
Augustin – É um sonho de longa data, que só criou corpo em 2010, quando pude adquirir a propriedade da família de Seno Brackmann (in memoriam). Há muito eu desejava poder produzir vinhos e nada sabia do ramo. Decidi iniciar da maneira menos profissional possível: tentativa, erros e alguns acertos. Desde 2024, Amanda (minha esposa), Teresa e Antonio, meus filhos mais novos, moramos na propriedade. Recebemos grupos interessados em uma vivência de imersão em um ambiente natural e repleto de história. Juntamente com vizinhos da Linha Catarina criamos o Catarinas Wanderwege – Trilhas da Linha Catarina. Meus filhos, Pedro e Artur, vivenciam esse espaço nas suas oportunidades de visita, nas folgas de trabalho. Aqui sou desafiado a desvendar conhecimentos que não fizeram parte da minha formação, nem da vivência da minha família: a agricultura familiar, projeto em que sou assessorado por meu irmão, Claiton Augustin.
Quais os teus planos profissionais para o futuro?
Augustin – Tenho gratidão por todas as oportunidades de aprendizagem em todos os lugares e com todas as pessoas fantásticas com quem pude dividir esses anos de boa e intensa convivência. Atualmente sou mestrando da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na área de Sociolinguística. Dedico-me, agora, a um tema que me é muito importante e ao qual não pude dar tempo durante a minha missão na gestão escolar. A minha tese versará sobre o Hunsrückisch, dialeto alemão mais falado no Brasil. Sinto que, após esse período sabático no Sítio Timbaúva, estou pronto para desafios importantes e interessantes que vierem a se apresentar na área de cultura e de educação.